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O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.

Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.

No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.

Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.
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13 de janeiro de 2010

Síndroma do nariz branco detectado em França

Uma equipa de investigadores detectou um morcego com síndroma do nariz-branco em França. O indivíduo foi detectado durante uma intensa monitorização de hibernação, o que sugere, uma vez mais, a importância de todos os que visitam abrigos estarem atentos aos sinais.


Myotis myotis com síndroma do nariz branco

Até ao momento esta enfermidade só tinha sido detectada nos EUA, e embora já tivesse sido avançada a possibilidade de estar também presente na Europa (ver aqui) este é o primeiro caso confirmado. Este fungo (
Geomyces destructans) já foi responsável para morte de mais de 1 000 000 de indíviduos nos EUA, havendo casos de colónias em que todos os indivíduos morreram.

Os autores do estudo, que pode ser consultado aqui, sugerem três cenários possíveis. O primeiro cenário, e aquele que merece maior preocupação, seria que o fungo só agora tivesse chegado à Europa, estando todos os morcegos em risco. Num segundo cenário o fungo já estaria presente na Europa por um longo período, o que significaria que os morcegos europeus teriam desenvolvido imunidade. Este perspectiva seria muito animadora, já que, ao perceber as características que permitiram desenvolver esta imunidade dar-se-ia um importante contributo para evitar a sua propagação nos EUA. O terceiro cenário aponta a possibilidade do fungo
Geomyces destructans não ser o primeiro responsável pela mortalidade, mas sim um oportunista que surge em indivíduos já comprometidos por outros agentes patogénicos

Segundo o mesmo artigo, uma vez que o indivíduo não se encontrava com peso abaixo da média, sintoma característico dos morcegos vítimas deste síndroma nos EUA, é possível que estejamos perante o segundo ou terceiro cenário.

Vale a pena ficar atento!

Artigos relacionados neste blog
Síndroma do Nariz Branco (III)
Estarão os espeleólogos e curiosos a contribuir para a disseminação do WNS
Síndroma do Nariz-Branco (II)
Poderá ter sido identificado o responsável pelo síndroma do nariz-branco
Síndroma do Nariz-Branco (I)

9 de julho de 2009

Síndroma do Nariz Branco (III)

O WNS (White Nose Syndrome) continua a dar que falar. Depois da Bat Conservation Trust ter disponibilizado um guia para especialistas e espeleólogos, que dá indicações sobre os sinais a que se deve estar atento bem como as precauções a ter [Síndroma do Nariz Branco (II)], foi agora a EUROBATS que, na última reunião do Comité de Peritos, decidiu que estas recomendações deviam circular em todos os países que fazem parte desta organização.

Curiosamente esta decisão surge numa altura em que se especula sobre a possibilidade do WNS ter sido transportado por humanos da Europa para os Estados Unidos. Deixo um pequeno apontamento de um texto retirado de um fórum e que pode ser consultado na íntegra em Cavechat.org.

"Of course, the bats may just keep spreading WNS despite all our efforts, in which case we may see bat populations continuing to crash to a point where there aren't sufficient bats to host the fungus. At that time, the fungal population will also crash and a new equilibrium may come into being - one with much smaller bat populations - and a smaller fungal population.

Some have said this may be what has occurred in Europe. A genetically identical fungus has been isolated from several different sites in Europe. More tests are being done before it can be declared to be Geomyces destructans. Europe, however, has not seen large bat mortalities. In part, some speculate, that's because Europe does not have large bat colonies - no where near the huge colonies we see in American caves. Could WNS have wiped out large colonies in the past and Europe reached this new equilibrium? No one has found any record of such an occurrence yet. Also, with small bat colonies, it's possible that bats do die of WNS but simply aren't noticed. If a bat or two or three in a colony of 30 or 50 goes missing, but the rest remain, what can we tell? At this point, we know that bats with something that looks like WNS have been documented in Germany as far back as 1983."

30 de março de 2009

Estarão os espeleólogos e curiosos a contribuir para a disseminação do WNS

O título da notícia original do The Scientist é bem mais sensacionalista, Are cavers killing bats, mas dada toda a incerteza que envolve o síndroma do nariz branco penso que se recomenda alguma prudência. Não obstante, penso que este é um assunto delicado e que merece destaque.

De acordo com cientistas que têm acompanhado a progressão do fungo, os primeiros casos surgiram em cavidades populares entre espeleólogos e o público em geral. Para além disso, no caso do fungo ser disseminado apenas através das migrações, seria de esperar que progredisse de forma gradual de este para oeste, no entanto têm-se verificado alguns grandes saltos.

A comunidade espeleológica tem dado um importante contributo no estudo deste fungo, e têm trabalhado com os investigadores no sentido de adoptar métodos de descontaminação do equipamento e vestuário, a grande preocupação são os espeleólogos amadores. A título de exemplo, a National Speleological Society (NSS) encerrou todas as cavidades, das quais é proprietária, enquanto os morcegos estão presentes. Esta moratória voluntária está a ser adoptada em vários estados, mas os cientistas sugerem que esta deve ser mesmo adoptada a nível nacional até que haja uma maior compreensão deste fenómeno.

O fungo, que se suspeita ser responsável pelo síndroma, pode permanecer activo por mais de duas semanas sem estar em contacto com um hospedeiro. Assim, se os esporos persistirem na roupa ou equipamento, existe a possibilidade dos espeleólogos e curiosos se tornarem vectores, e a confirmar-se que é este fungo que está na origem do fenómeno, a preocupação com o factor humano deve ser prioritária. Contudo, dado o desconhecimento que ainda persiste sobre este fenómeno, a notícia de uma possível moratória a nível nacional não é bem recebida pela comunidade espeleológica, considerando-a prematura. Mesmo dentro da comunidade científica a questão não é consensual, já que há quem considere que no Nordeste dos EUA já é demasiado tarde, e tal moratória não terá qualquer efeito.

Uma das hipóteses sugeridas para o aparecimento do síndroma do nariz branco nas cavidades, é o de se tratar de um fungo que, existindo na natureza, apenas se manifesta quando encontra as condições de temperatura e humidade ideias, tais como as que existem nas cavidades. Originalmente este fungo poderá ter sido transportado para o interior de cavidades, onde se começou a desenvolver. Na Europa não são conhecidos casos de síndroma do nariz branco, no entanto importa referir que quando entramos numa cavidade não nos transportamos apenas a nós, pelo que valerá a pena tomar algumas precauções.

29 de março de 2009

Breves (I)

Gate built at cave to protect endangered gray bats
(in The Tenessean, 25 de Março de 2009)

O portão foi construído para proteger a espécie ameaçada Myotis grisescens que passa o Verão em Old Hickory Lake. Com esta medida os responsáveis esperam diminuir a perturbação humana e contribuir para a recuperação da população, que diminui significativamente nos últimos anos.

O portão foi desenhado de forma a permitir a passagem dos morcegos, mas não a de pessoas.

Birds, bats leave different wakes
(in Science News, 24 de Março de 2009)

O rasto aerodinâmico deixado por uma ave em voo, é substancialmente diferente da perturbação atmosférica produzida por um morcego. Fundamentalmente, a diferença reside na técnica utilizada para bater as assas. As aves e os morcegos desenvolveram o voo de forma inependente, como isso foi possível permanece um mistério.

A diferença está nos vórtices produzidos por morcegos e aves, o que poderá estar relacionado com a estrutura das asas e do corpo. Estas diferenças na estrutura de ambos os grupos faz com que as aves tenham que dispender menos energia para se projectarem para a frente.

Cavernas mais quentes podem salvar populações de morcegos
(in Terra, 24 de Março de 2009)

Investigadores têm esperança que o uso de caixas aquecidas como abrigos para morcegos, possam reduzir o número de animais que morrem devido ao síndroma do nariz branco.

Uma equipa de cientistas criou um modelo matemático que sugere que os padrões de hibernação dos morcegos estão a sofrer alterações, o que os força a consumir reservas energéticas para manterem a temperatura corporal. Os cientistas propõem a instalação de abrigos aquecidos dentro dos locais afectados, permitindo que eles conservem energia, aumentando a sua possibilidade de sobrevivência.

Bat population shows huge declines
(in The ADVOCATE, 23 de Março de 2009)

O misterioso fungo do síndroma do nariz branco, alastrou-se, durante este Inverno, a 9 estados dos EUA, aumentando a preocupação de um aumento da população de insectos, e consequentemente aumento do uso de pesticidas.

Em apenas uma gruta, no Connecticut, onde se encontravam 3300 morcegos, a população é agora de 300 indivíduos, e este declínio é esperado em muitos outros locais de hibernação, alguns dos quais com um efectivo populacional muito superior.

Bridge project timed to help bats
(in BBC News, 21 de Março de 2009)

Os trabalhos que têm decorrido numa ponte de uma auto-estrada em Nottinghamshire, são referidos pelos responsáveis como sendo "amigos dos morcegos", e de acordo com os mesmos as medidas têm sido tão bem sucedidas que a colónia em causa está mesmo a crescer.

De entre as medidas destaca-se a colocação de caixas abrigo na envolvente, servindo como abrigos alternativos durante a perturbação, o trabalho nocturno foi restrito e a utilização de luzes foi mantida no mínimo indispensável.


Bat disease poses unforeseen problems
(in The News Time, 21 de Março de 2009)

O misterioso síndorma do nariz branco tornou a Mine Hill, em Roxbury, onde os morcegos formam colónias de hibernação, num cemitério. De acordo com o Departamento de Protecção do Ambiente, cerca de 90% dos indivíduos da colónia morreram, e mais dramático é o facto deste fungo se estar a muitos outros locais.

Com esta diminuição das populações locais, espera-se agora um aumento das populações de mosquitos e algumas pragas agrícolas.

Those Gymnastic Bats, Landing Upside Down
(in The New York Times, 20 de Março de 2009)

Os morcegos abrigam-se de cabeça para baixo, pendurados pelos seus calcanhares, e têm que aterrar nesta posição contra o tecto de uma gruta ou folhagem, e na aproximação têm de voar contra a gravidade.

Daniel K. Riskin da Brown University, e os seus colegas mostraram como o fazem. Utilizando uma câmara de alta velocidade e uma plataforma de contacto para medir as forças, estudaram a aterragem de três espécies de morcegos.

Os resultados sugerem que a severidade da aterragem é função do tipo de abrigo. Assim, morcegos que se abrigam em grutas têm que fazer uma aterragem mais suave para evitar ferimentos, enquanto que um morcego que se abrigue na folhagem pode proceder a uma aterragem mais dura, dando-lhe tempo para se assegurar que tem um bom apoio.

Aqui é possível ver dois filmes da aterragem que aconselho vivamente

2 de fevereiro de 2009

Síndroma do Nariz-Branco (II)

Nos últimos dias as notícias sobre o Síndroma do Nariz-Branco têm chegado em catadupa, e os números avançados são avassaladores. Dia a dia vão surgindo informações de um maior número de colónias afectadas, e o fenómeno, que no ano passado tinha sido identificado em apenas dois estados Norte Americanos, está agora a alastrar-se.

Apesar das baixas temperaturas que se fazem sentir o número de casos de morcegos a voarem, mesmo à luz do dia, é cada vez maior, bem como o número de cadáveres encontrados. Com uma mortalidade tão elevada, as preocupações começam agora a voltar-se para as pragas de insectos que, ao confirmar-se uma redução significativa de indivíduos nas colónias de morcegos locais, poderão causar sérios estragos no Verão, não só porque alguns destes insectos são transmissores de doenças, mas principalmente por serem pragas agrícolas, o que poderá causar sérios problemas ao nível da produção de alimentos.

A causa desta mortalidade ainda não é totalmente compreendida, e entre os cientistas existe um sentimento generalizado de impotência, uma vez que não têm como combater ou prevenir o que não conhecem. A gravidade deste fenómeno faz com que mereça destaque em duas das principais newsletter da área, a Bat Conservation Times e a Bat e-Bulletin da Bat Conservation Trust, e apesar de não ter sido diagnosticado nenhum caso deste Síndroma fora dos Estados Unidos, a Bat Conservation Trust disponibiliza um guia para especialistas e espeleólogos, que dá indicações sobre os sinais a que se deve estar atento bem como as precauções a ter, o guia pode ser descarregado aqui.

Resta-nos esperar que os cientistas a trabalhar neste fenómeno consigam encontrar uma solução o mais rapidamente possível.



Outras Leituras


- Bats in the News ~ WNS Spreads
- White-nose Syndrome
- Mystery Illness Kills Thousands Of Bats In The Northeast
- Bat plague fallout: More bugs, fewer crops?
- Biologists probe bat plague mystery
- White nose syndrome now threatening Pennsylvania bats

8 de janeiro de 2009

Síndroma do Nariz-Branco (I)

(fonte: http://www.vtfishandwildlife.com/Detail.cfm?Agency__ID=1423)

A Agência dos Recursos Naturais de Vermont (USA) lançou um aviso sobre a possibilidade dos cidadãos observarem uma actividade de morcegos anormal, mesmo durante o dia e apesar das baixas temperaturas que se fazem sentir.

Já no último Inverno se tinha verificado uma situação idêntica, e este comportamento deve-se ao síndroma do nariz-branco, que tem afectado morcegos em hibernação por todo o estado de Vermont. Os morcegos enfermos despertam da hibernação e abandonas as grutas e minhas na busca de alimento, acabando por procurar abrigo em residências, edifícios e outras estruturas, num esforço de sobreviver ao frio.

Como resultado os cidadãos que residem próximos de abrigos de morcegos estão a observar níveis de actividade e mortalidade pouco comuns nesta época. De acordo com os responsáveis do Departamento de Pesca & Vida Selvagem, este fenómeno está a ocorrer mais cedo do que o ano anterior, o que poderá indicar que as populações de morcegos estão cada vez mais comprometidas pelo síndroma do nariz-branco.

Para melhor compreender a dimensão desta doença o departamento criou um formulário on-line, e uma linha telefónica, onde os cidadãos podem reportar morcegos encontrados mortos ou moribundos, assim como observações de morcegos durante o dia.

5 de novembro de 2008

Poderá ter sido identificado o responsável pelo síndroma do nariz-branco

O síndroma do nariz-branco já foi responsável pela morte de mais de 100 000 morcegos nos Estados Unidos. Este síndroma atinge de forma fulminante morcegos em hibernação e desde o inverno de 2006-2007 o declínio da população em alguns abrigos de hibernação excedeu os 75%. Esta enfermidade manifesta-se pela presença de um de fungo branco nas narinas, ouvidos e membranas alares.

(Myotis lucifugus com síndroma do nariz-branco. Al Hicks/NY DEC in http://www.sciencenews.org/)

A causa desta elevada mortalidade constitui um grande quebra-cabeças que tem despertado a atenção de diversos cientistas e decisores. Recentemente poderão ter sido dados passos importantes para a sua resolução, e no passado dia 30 de Setembro foi publicado na revista Science um artigo segundo o qual um fungo que ainda não tinha sido descrito poderá estar na origem deste síndroma. O fungo em causa pertence ao grupo Geomyces para o qual as baixas temperaturas representam a condição óptima de crescimento e reprodução. No entanto os investigadores ainda não sabem se este fungo é o único factor que está a provocar a mortalidade.

A consultar:
- Bat White-Nose Syndrome: An Emerging Fungal Pathogen?
- Bat syndrome's telltale white nose-mold new to science
- Newly Identified Fungus Implicated in White-Nose Syndrome in Bats: Mysterious Bat Disease Decimates Colonies in the Northeast