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O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.

Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.

No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.

Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.

16 de Abril de 2012

Dicotomia perfeita!

Quem trabalha com morcegos sabe como a distinção entre espécies pode, por vezes, ser extremamente difícil. Em algumas espécies, como é Rhinolophus euryale (Morcego-de-ferradura-mediterrânico) e R. mehelyi (Morcego-de-ferradura-mourisco) a distinção baseia-se, na maioria dos casos, em pequenas diferenças morfológicas

Rinolophus euryale (esquerda) e Rhinolophus mehelyi (direita)

No caso dos indivíduos da fotografia as diferenças eram particularmente evidentes, e quando assim é, nós agradecemos a colaboração. A característica que permitiu a confirmação das espécies foi a forma da lanceta (ver esquema em baixo), no entanto, o que salta logo à vista são as diferenças na coloração. Embora esta característica não seja diagnosticante, a coloração castanho-avermelhada parece ser comum na Peninsula Ibérica em indivíduos da espécie
R. mehelyi. No livro Bats of Briain, Europe and Northwest Africa ela é referida como comum na Sardenha, embora rara no resto da Europa.
(a) Lanceta; (b) processo conectivo; (c) "sella"; (d) ferradura
Diferenças entre R. euryale (A) e R. mehelyi (B)
(adaptado de Dietz et al., 2010 e Palmeirim, 1990)

A Chave ilustrada simplificada de identificação das espécies de morcegos presentes em Portugal Continental refere da seguinte forma as diferenças na lanceta:

R. euryale: de frente, a lanceta estreita gradualmente até à ponta, que é arredondada (tem um estreitamento sensivelmente a meio)
R. mehelyi: visto de frente, a lanceta estreita abruptamente no meio e termina numa ponta linear.

11 de Abril de 2012

Monitorização de Inverno!

Este ano até os mais distraídos se aperceberam da seca extrema e das temperaturas elevadas que se fizeram sentir no Inverno. Naturalmente estas condições anormais provocam alterações no comportamento sazonal de diferentes organismos.

Embora não exista uma recolha de informação sistemática nem um tratamento de dados rigoroso, foi possível notar nesta época de hibernação algumas diferenças relativamente a anos anteriores. Alguns abrigos em que, pela sua dimensão e configuração, as condições atmosféricas estão mais dependentes do exterior, apresentavam um número de indivíduos inferior ao habitual. Por outro lado, em abrigos de maior dimensão e com condições mais favoráveis à hibernação, havia muitos indivíduos activos em zonas próximas da entrada, embora nas zonas de temperaturas mais baixas houvesse também indivíduos em hibernação.

Apesar das condições meteorológicas anormais que se fizeram sentir este Inverno, é sempre bom verificar que mesmo assim há importantes colónias que se mantêm, como é o caso da grande colónia mista de Rhinolophus euryale e R. mehelyi da foto em baixo.


Agradeço também a todas as pessoas que colaboraram comigo nestas e noutras monitorizações deixando uma foto da equipa de monitorização deste ano!

Da esquerda para a direita: Isabel Sá, João Rodrigues, Francisco Amorim, Helena Santos, Nuno Pinto e Anabela Amado. Faltam a Virgínia Duro e o Frederico Oliveira que não estavam presentes neste dia mas que também participaram!

XIII Jornadas FAPAS sobre Conservação da Natureza e Educação Ambiental

Vão ter lugar a 21 e 22 de Abril, no Auditório do Estádio Dr. Magalhães Perssoa (ala poente porta 7), em Leiria as XIII Jornadas sobre Conservação da Natureza e Educação Ambiental. O evento é promovido pelo FAPAS, conta com o apoio da Câmara Municipal de Leiria e destina-se a professores, a técnicos de Municípios e a todos os profissionais ligados ao Ambiente e à Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

No dia 21 de Abril fazem parte do programa duas palestras dedicadas aos morcegos:

16h45 Biologia, ecologia, factores e ameaças aos morcegos
Hugo Rebelo e Francisco Amorim (Cibio, Universidade do Porto )

17h30 Morcegos em agro-ecossistemas: conciliar a gestão da paisagem e a conservação de espécies coloniais
Ana Raínho (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)

No programa está ainda incluído um Atelier de Caixas Abrigo.

Para consultar o programa completo e obter mais informações visitem o site do FAPAS.


7 de Dezembro de 2011

O tamanho importa?

Num interessante post do blog Um dia de Campo, o Paulo Barros debruça-se sobre a importância dos pontos de água para os morcegos, bem como as características que mais beneficiam a presença de morcegos. A sua importância é tanto maior quanto maior for a aridez da região, e em zonas de reduzida disponibilidade hídrica, pontos de água que à primeira vista nos parecem desprezíveis podem ser fundamentais para a permanência de algumas espécies na região.

Capturas realizadas durante o Verão permitiram confirmar uma situação bastante curiosa. Numa zona em que a presença de manchas de folhosas maduras é reduzida foram capturados, numa única noite, num tanque com uma área inferior a 3m2 quato Myotis bechsteinii. Esta espécie é considerada rara sendo o número de observações em Portugal reduzido e o resultado foi ainda mais inesperado tendo em conta as características da paisagem. Tratando-se de uma espécie tipicamente associada a bosques de folhosas, o número de indivíduos capturadas numa região dominada por paisagem agrícola e matos, embora com existência de alguns bosquetes de carvalhos na proximidade, foi surpreendente. Na mesma noite foram capturados mais seis indivíduos num total de cinco espécies (Myotis escalerai, M. bechsteinii, Barbastella barbastellus, Pipistrellus pipistrellus e P. kuhlii).

Esta observação levanta duas questões interessantes. A possibilidade de concentração de espécies raras em condições sub-óptimas e, nestas condições, qual a importância da dimensão de algumas características da paisagem, como sejam as manchas de folhosas ou até mesmo os pontos de água.
Myotis bechsteinii

6 de Novembro de 2011

Atlas dos Morcegos na SIC

Reportagem sobre o dia a dia dos voluntários do projecto do Atlas dos Morcegos de Portugal Continental.

Para saber mais sobre este projecto e como pode participar, consulte o site do Ano do Morcego.