O WNS (White Nose Syndrome) continua a dar que falar. Depois da Bat Conservation Trust ter disponibilizado um guia para especialistas e espeleólogos, que dá indicações sobre os sinais a que se deve estar atento bem como as precauções a ter [Síndroma do Nariz Branco (II)], foi agora a EUROBATS que, na última reunião do Comité de Peritos, decidiu que estas recomendações deviam circular em todos os países que fazem parte desta organização.
Curiosamente esta decisão surge numa altura em que se especula sobre a possibilidade do WNS ter sido transportado por humanos da Europa para os Estados Unidos. Deixo um pequeno apontamento de um texto retirado de um fórum e que pode ser consultado na íntegra em Cavechat.org.
"Of course, the bats may just keep spreading WNS despite all our efforts, in which case we may see bat populations continuing to crash to a point where there aren't sufficient bats to host the fungus. At that time, the fungal population will also crash and a new equilibrium may come into being - one with much smaller bat populations - and a smaller fungal population.
Some have said this may be what has occurred in Europe. A genetically identical fungus has been isolated from several different sites in Europe. More tests are being done before it can be declared to be Geomyces destructans. Europe, however, has not seen large bat mortalities. In part, some speculate, that's because Europe does not have large bat colonies - no where near the huge colonies we see in American caves. Could WNS have wiped out large colonies in the past and Europe reached this new equilibrium? No one has found any record of such an occurrence yet. Also, with small bat colonies, it's possible that bats do die of WNS but simply aren't noticed. If a bat or two or three in a colony of 30 or 50 goes missing, but the rest remain, what can we tell? At this point, we know that bats with something that looks like WNS have been documented in Germany as far back as 1983."
O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.
Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.
No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.
Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.
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9 de julho de 2009
25 de maio de 2009
Effectiveness of Changing Wind Turbine Cut-in Speed to Reduce Bat Fatalities at Wind Facilities
Depois de em 2008 a BWEC ter iniciado uma experiência controlada para testar o efeito da cessação do funcionamento dos aerogeradores durante o período de actividade de morcegos na sua mortalidade (ver aqui), surgem agora os primeiros resultados. Publicado em Abril, este primeiro relatório (disponível aqui) sugere que esta medida pode resultar numa redução significativa da mortalidade de morcegos em parques eólicos, alertando no entanto para a necessidade de continuar a testar esta medida.
De acordo com os resultados obtidos, a aplicação desta medida poderá conduzir a uma redução de 53% a 87% da mortalidade, sendo que a definição de um limite de velocidade de vento abaixo da qual os aerogeradores param de funcionar de 5 m/s ou 6,5 m/s, parece ter pouca influência na redução da mortalidade. Esta medida resultaria, para o período considerado (26 de Julho a 11 de Outubro) numa redução na produção de 3%, no caso de um limite de 5 m/s, e 11%, no caso de um limite de 6,5 m/s, a que corresponderia uma redução global de 0,3% e 1% respectivamente. Em termos económicos, para as empresas que exploram os parques eólicos, haverá outros factores a ter em conta, mas numa primeira análise poderá conseguir-se uma redução muito significativa da mortalidade, com baixos custos para o promotor. Uma medida de minimização a ser encarada de uma forma mais séria num futuro próximo.
De acordo com os resultados obtidos, a aplicação desta medida poderá conduzir a uma redução de 53% a 87% da mortalidade, sendo que a definição de um limite de velocidade de vento abaixo da qual os aerogeradores param de funcionar de 5 m/s ou 6,5 m/s, parece ter pouca influência na redução da mortalidade. Esta medida resultaria, para o período considerado (26 de Julho a 11 de Outubro) numa redução na produção de 3%, no caso de um limite de 5 m/s, e 11%, no caso de um limite de 6,5 m/s, a que corresponderia uma redução global de 0,3% e 1% respectivamente. Em termos económicos, para as empresas que exploram os parques eólicos, haverá outros factores a ter em conta, mas numa primeira análise poderá conseguir-se uma redução muito significativa da mortalidade, com baixos custos para o promotor. Uma medida de minimização a ser encarada de uma forma mais séria num futuro próximo.
Etiquetas:
eólicas,
medidas de minimização,
mortalidade
14 de abril de 2009
Pode a energia eólica ser amiga dos morcegos?
Num post anterior demos destaque a uma experiência conduzida pela BWEC cujo objectivo é testar o efeito da suspensão do funcionamento dos aerogeradores em noites de vento baixo, particularmente no final do Verão e início de Outono. Embora o estudo ainda não tenha sidopublicado, os primeiros resultados sugerem uma redução da mortalidade entre os 56 e os 90%, com um custo para a produção de apenas 1 a 2%.
Paralelamente a esta medida, Edward Arnett (BWEC) está a testar um dispositivo constituídopor 16 colunas que emitem ultra-sons, interferindo com o sistema de ecolocalização dos morcegos, o que, teoricamente, obrigará os morcegos a mudarem o curso do seu voo, afastando-se dos aerogeradores.
A ler:
Can Wind Power Be Wildlife Friendly
Wind energy finds fix for exploding bats
Paralelamente a esta medida, Edward Arnett (BWEC) está a testar um dispositivo constituídopor 16 colunas que emitem ultra-sons, interferindo com o sistema de ecolocalização dos morcegos, o que, teoricamente, obrigará os morcegos a mudarem o curso do seu voo, afastando-se dos aerogeradores.
A ler:
Can Wind Power Be Wildlife Friendly
Wind energy finds fix for exploding bats
Etiquetas:
BWEC,
eólicas,
medidas de minimização,
mortalidade
29 de março de 2009
Breves (I)
Gate built at cave to protect endangered gray bats
(in The Tenessean, 25 de Março de 2009)
O portão foi construído para proteger a espécie ameaçada Myotis grisescens que passa o Verão em Old Hickory Lake. Com esta medida os responsáveis esperam diminuir a perturbação humana e contribuir para a recuperação da população, que diminui significativamente nos últimos anos.
O portão foi desenhado de forma a permitir a passagem dos morcegos, mas não a de pessoas.
Birds, bats leave different wakes
(in Science News, 24 de Março de 2009)
O rasto aerodinâmico deixado por uma ave em voo, é substancialmente diferente da perturbação atmosférica produzida por um morcego. Fundamentalmente, a diferença reside na técnica utilizada para bater as assas. As aves e os morcegos desenvolveram o voo de forma inependente, como isso foi possível permanece um mistério.
A diferença está nos vórtices produzidos por morcegos e aves, o que poderá estar relacionado com a estrutura das asas e do corpo. Estas diferenças na estrutura de ambos os grupos faz com que as aves tenham que dispender menos energia para se projectarem para a frente.
Cavernas mais quentes podem salvar populações de morcegos
(in Terra, 24 de Março de 2009)
Investigadores têm esperança que o uso de caixas aquecidas como abrigos para morcegos, possam reduzir o número de animais que morrem devido ao síndroma do nariz branco.
Uma equipa de cientistas criou um modelo matemático que sugere que os padrões de hibernação dos morcegos estão a sofrer alterações, o que os força a consumir reservas energéticas para manterem a temperatura corporal. Os cientistas propõem a instalação de abrigos aquecidos dentro dos locais afectados, permitindo que eles conservem energia, aumentando a sua possibilidade de sobrevivência.
Bat population shows huge declines
(in The ADVOCATE, 23 de Março de 2009)
O misterioso fungo do síndroma do nariz branco, alastrou-se, durante este Inverno, a 9 estados dos EUA, aumentando a preocupação de um aumento da população de insectos, e consequentemente aumento do uso de pesticidas.
Em apenas uma gruta, no Connecticut, onde se encontravam 3300 morcegos, a população é agora de 300 indivíduos, e este declínio é esperado em muitos outros locais de hibernação, alguns dos quais com um efectivo populacional muito superior.
Bridge project timed to help bats
(in BBC News, 21 de Março de 2009)
Os trabalhos que têm decorrido numa ponte de uma auto-estrada em Nottinghamshire, são referidos pelos responsáveis como sendo "amigos dos morcegos", e de acordo com os mesmos as medidas têm sido tão bem sucedidas que a colónia em causa está mesmo a crescer.
De entre as medidas destaca-se a colocação de caixas abrigo na envolvente, servindo como abrigos alternativos durante a perturbação, o trabalho nocturno foi restrito e a utilização de luzes foi mantida no mínimo indispensável.
Bat disease poses unforeseen problems
(in The News Time, 21 de Março de 2009)
O misterioso síndorma do nariz branco tornou a Mine Hill, em Roxbury, onde os morcegos formam colónias de hibernação, num cemitério. De acordo com o Departamento de Protecção do Ambiente, cerca de 90% dos indivíduos da colónia morreram, e mais dramático é o facto deste fungo se estar a muitos outros locais.
Com esta diminuição das populações locais, espera-se agora um aumento das populações de mosquitos e algumas pragas agrícolas.
Those Gymnastic Bats, Landing Upside Down
(in The New York Times, 20 de Março de 2009)
Os morcegos abrigam-se de cabeça para baixo, pendurados pelos seus calcanhares, e têm que aterrar nesta posição contra o tecto de uma gruta ou folhagem, e na aproximação têm de voar contra a gravidade.
Daniel K. Riskin da Brown University, e os seus colegas mostraram como o fazem. Utilizando uma câmara de alta velocidade e uma plataforma de contacto para medir as forças, estudaram a aterragem de três espécies de morcegos.
Os resultados sugerem que a severidade da aterragem é função do tipo de abrigo. Assim, morcegos que se abrigam em grutas têm que fazer uma aterragem mais suave para evitar ferimentos, enquanto que um morcego que se abrigue na folhagem pode proceder a uma aterragem mais dura, dando-lhe tempo para se assegurar que tem um bom apoio.
Aqui é possível ver dois filmes da aterragem que aconselho vivamente
(in The Tenessean, 25 de Março de 2009)
O portão foi construído para proteger a espécie ameaçada Myotis grisescens que passa o Verão em Old Hickory Lake. Com esta medida os responsáveis esperam diminuir a perturbação humana e contribuir para a recuperação da população, que diminui significativamente nos últimos anos.
O portão foi desenhado de forma a permitir a passagem dos morcegos, mas não a de pessoas.
Birds, bats leave different wakes
(in Science News, 24 de Março de 2009)
O rasto aerodinâmico deixado por uma ave em voo, é substancialmente diferente da perturbação atmosférica produzida por um morcego. Fundamentalmente, a diferença reside na técnica utilizada para bater as assas. As aves e os morcegos desenvolveram o voo de forma inependente, como isso foi possível permanece um mistério.
A diferença está nos vórtices produzidos por morcegos e aves, o que poderá estar relacionado com a estrutura das asas e do corpo. Estas diferenças na estrutura de ambos os grupos faz com que as aves tenham que dispender menos energia para se projectarem para a frente.
Cavernas mais quentes podem salvar populações de morcegos
(in Terra, 24 de Março de 2009)
Investigadores têm esperança que o uso de caixas aquecidas como abrigos para morcegos, possam reduzir o número de animais que morrem devido ao síndroma do nariz branco.
Uma equipa de cientistas criou um modelo matemático que sugere que os padrões de hibernação dos morcegos estão a sofrer alterações, o que os força a consumir reservas energéticas para manterem a temperatura corporal. Os cientistas propõem a instalação de abrigos aquecidos dentro dos locais afectados, permitindo que eles conservem energia, aumentando a sua possibilidade de sobrevivência.
Bat population shows huge declines
(in The ADVOCATE, 23 de Março de 2009)
O misterioso fungo do síndroma do nariz branco, alastrou-se, durante este Inverno, a 9 estados dos EUA, aumentando a preocupação de um aumento da população de insectos, e consequentemente aumento do uso de pesticidas.
Em apenas uma gruta, no Connecticut, onde se encontravam 3300 morcegos, a população é agora de 300 indivíduos, e este declínio é esperado em muitos outros locais de hibernação, alguns dos quais com um efectivo populacional muito superior.
Bridge project timed to help bats
(in BBC News, 21 de Março de 2009)
Os trabalhos que têm decorrido numa ponte de uma auto-estrada em Nottinghamshire, são referidos pelos responsáveis como sendo "amigos dos morcegos", e de acordo com os mesmos as medidas têm sido tão bem sucedidas que a colónia em causa está mesmo a crescer.
De entre as medidas destaca-se a colocação de caixas abrigo na envolvente, servindo como abrigos alternativos durante a perturbação, o trabalho nocturno foi restrito e a utilização de luzes foi mantida no mínimo indispensável.
Bat disease poses unforeseen problems
(in The News Time, 21 de Março de 2009)
O misterioso síndorma do nariz branco tornou a Mine Hill, em Roxbury, onde os morcegos formam colónias de hibernação, num cemitério. De acordo com o Departamento de Protecção do Ambiente, cerca de 90% dos indivíduos da colónia morreram, e mais dramático é o facto deste fungo se estar a muitos outros locais.
Com esta diminuição das populações locais, espera-se agora um aumento das populações de mosquitos e algumas pragas agrícolas.
Those Gymnastic Bats, Landing Upside Down
(in The New York Times, 20 de Março de 2009)
Os morcegos abrigam-se de cabeça para baixo, pendurados pelos seus calcanhares, e têm que aterrar nesta posição contra o tecto de uma gruta ou folhagem, e na aproximação têm de voar contra a gravidade.
Daniel K. Riskin da Brown University, e os seus colegas mostraram como o fazem. Utilizando uma câmara de alta velocidade e uma plataforma de contacto para medir as forças, estudaram a aterragem de três espécies de morcegos.
Os resultados sugerem que a severidade da aterragem é função do tipo de abrigo. Assim, morcegos que se abrigam em grutas têm que fazer uma aterragem mais suave para evitar ferimentos, enquanto que um morcego que se abrigue na folhagem pode proceder a uma aterragem mais dura, dando-lhe tempo para se assegurar que tem um bom apoio.
Aqui é possível ver dois filmes da aterragem que aconselho vivamente
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