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O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.

Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.

No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.

Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.

9 de Setembro de 2008

Mecanismos Moleculares e Evolução da Percepção Sensorial nos Mamíferos: Evolução da Visão nos Morcegos

O Bruno Simões fez-nos chegar chegar de Dublin um pequeno resumo sobre o trabalho que tem estado a desenvolver no âmbito do doutoramento...

O Morceguismos agradece!
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A capacidade de visualizar o ambiente circundante tem profundas consequências na evolução dos organismos, uma vez que afecta a sua sobrevivência e a sua capacidade de se reproduzir. Deste modo, os mamíferos optimizaram as suas capacidades sensoriais de acordo com o ambiente onde estão inseridos. Nos mamíferos, a visão baseia-se num conjunto de proteínas fotossensíveis: as Opsinas (responsáveis pela visão a cores) e as Rodopsinas (responsáveis pela visão nocturna). As opsinas e as rodopsinas são codificadas por diversos genes localizadas em diferentes partes do genoma.

A sub-ordem Yangochiroptera e a superfamilia Rhinolophoidea (onde se incluem os morcegos-ferradura) ocupam um nicho ecológico nocturno e possuem ecolocalização laringeal, enquanto que os membros da superfamilia Pteropodidae (raposas voadoras) não detém orientação acústica e possuem olhos e olfacto desenvolvidos. Durante anos acreditou-se que que os morcegos teriam desenvolvido a ecolocalização à custa de outros sentidos, contudo dados obtidos a partir da genética molecular sugerem que o ancestral de todos os morcegos era capaz de voar e possuía ecolocalização e que possivelmente as raposas voadas “trocaram” a ecolocalização por uma visão desenvolvida. De modo a perceber como a visão evoluiu nos morcegos e quais os genes envolvidos neste sentido, o meu projecto de doutoramento pretende ampliar e sequenciar (com a convencional sequenciação por capilar e por sequenciação de nova geração) os pigmentos visuais (opsinas e rodopsinas) e outros genes visuais (fibras nervosas do nervo óptico, tapedium lucidium, outros pigmentos visuais, etc.) presente nos olhos dos morcegos. Deste modo, um panorama completo será obtido sobre a funcionalidade dos genes visuais e como estes evoluiram em resposta as características fóticas dos nichos ecológicos dos morcegos. Será tambem percebido que tipo de visão as diferentes famílias de morcegos detém (a cores, dicromática, monocromática) e que relação detém este sentido com a ecolocalização e olfacto. Os dados obtidos a partir da genética molecular serão integrados com dados ecológicos, paleontológicos, fisiológicos e neurobiológicos.

Este projecto será desenvolvido nos laboratórios da School of Biology and Environmental Science da University College Dublin em Dublin, Irlanda sob orientação da Dr. Emma Teeling em colaboração com o Queens Mary University em Londres (Dr. Stephen Rossiter) e Institute of Zoology of the Chinese Academy of Sciences em Xangai (China). Este projecto é financiado por uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciȇncia e Tecnologia e por um projecto PIYRA da Science Foundation of Ireland.

Bruno Fonseca Simões
BatLab | Laboratory of Molecular Evolution & Mammalian Phylogenetics
UCD School of Biology and Environmental Science (Zoology)
UCD Science Education and Research Centre (West),
University College Dublin,
Belfield, Dublin 4, Ireland
http://batlab.ucd.ie/

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