Reportagem produzida para a RTP por Luís Henrique Pereira, sobre o programa de monitorização de abrigos cavernícolas em Portugal. A reportagem foi feita durante o período de hibernação, época em que vários abrigos subterrâneos são visitados para acompanhar colónias importantes no nosso país.
No próximo sábado (dia 5 de Fevereiro) o Doutor Hugo Rebelo estará no programa Bom dia Portugal (fim-de-semana) para comentar esta reportagem. Fiquem atentos!
O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.
Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.
No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.
Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.
3 de março de 2011
Fotografias de Inverno (IV)
Todo os anos vários abrigos subterrâneos de importância nacional são monitorizados durante os períodos críticos para os morcegos (Criação e Hibernação). Esta monitorização tem vindo a ser assegurada pelo ICNB em colaboração com diversas entidades e pessoas individuais que contribuem para este projecto de forma voluntária.
Depois de mais uma campanha de monitorização que ocorreu durante a hibernação, ficam algumas fotos.

* Alguns dos indivíduos em primeiro plano pertencem à espécie Rhinolophus ferrumequinum (Morcego-de-ferradura-grande)
Depois de mais uma campanha de monitorização que ocorreu durante a hibernação, ficam algumas fotos.
Rhinolophus euryale (Morcego-de-ferradura-mediterrânico)*
* Alguns dos indivíduos em primeiro plano pertencem à espécie Rhinolophus ferrumequinum (Morcego-de-ferradura-grande)
11 de janeiro de 2011
Jornadas Quiropterianas
Toda a informação aqui.
A FPE-Federação Portuguesa de Espeleologia, a Fundação Curtursintra, AES-Associação dos Espeleólogos de Sintra e o GEM-Grupo de Espeleologia e Montanhismo, decidiram promover, em regime de co-organização, a primeira edição das Jornadas Quiropterianas, sob o tema da Monitorização de Morcegos, na oportunidade da celebração do Ano Morcego em 2011/2012, declarado pela Convenção de Bona e EUROBATS.
Desta forma, vimos por este meio convidar V.Exa que nos honrasse com a sua presença neste evento – Sábado dia 15/01, no Palácio da Regaleira a partir das 10:30h (programa em anexo).
As Jornadas Quiropterianas visam consolidar os projectos de salvaguarda e investigação sobre quirópteros desenvolvidos em Portugal, assim como mover acções de informação e divulgação ambiental decorrentes dessa investigação.
Estas Jornadas serão encontros informais de convívio e partilha da experiencias de cada um, sobre a realidade da monitorização de morcegos e pretendem suscitar novas questões no seio da comunidade científica que podem levar a uma nova abordagem sobre as monitorizações, evidenciando novas soluções a aplicar, erros a corrigir, dificuldades a superar, a necessidade de normalização de registos, etc.
Para além dos membros do Grupo Temático para os Quirópteros da CCient. da Federação Portuguesa de Espeleologia, de quem esperamos o maior contributo vivencial, esperamos ter também entre nós, os habituais colaboradores nesta importante actividade, assim como os que se iniciaram ou querem iniciar-se nesta aventura do conhecimento quiropteriano.
Ficamos na expectativa de suas notícias, cordialmente apresento os meus melhores cumprimentos,
Gabriel Mendes
Presidente da Comissão Científica
da Federação Portuguesa
ciencia@fpe-espeleo.org
www.fpe-espeleo.org
A FPE-Federação Portuguesa de Espeleologia, a Fundação Curtursintra, AES-Associação dos Espeleólogos de Sintra e o GEM-Grupo de Espeleologia e Montanhismo, decidiram promover, em regime de co-organização, a primeira edição das Jornadas Quiropterianas, sob o tema da Monitorização de Morcegos, na oportunidade da celebração do Ano Morcego em 2011/2012, declarado pela Convenção de Bona e EUROBATS.
Desta forma, vimos por este meio convidar V.Exa que nos honrasse com a sua presença neste evento – Sábado dia 15/01, no Palácio da Regaleira a partir das 10:30h (programa em anexo).
As Jornadas Quiropterianas visam consolidar os projectos de salvaguarda e investigação sobre quirópteros desenvolvidos em Portugal, assim como mover acções de informação e divulgação ambiental decorrentes dessa investigação.
Estas Jornadas serão encontros informais de convívio e partilha da experiencias de cada um, sobre a realidade da monitorização de morcegos e pretendem suscitar novas questões no seio da comunidade científica que podem levar a uma nova abordagem sobre as monitorizações, evidenciando novas soluções a aplicar, erros a corrigir, dificuldades a superar, a necessidade de normalização de registos, etc.
Para além dos membros do Grupo Temático para os Quirópteros da CCient. da Federação Portuguesa de Espeleologia, de quem esperamos o maior contributo vivencial, esperamos ter também entre nós, os habituais colaboradores nesta importante actividade, assim como os que se iniciaram ou querem iniciar-se nesta aventura do conhecimento quiropteriano.
Ficamos na expectativa de suas notícias, cordialmente apresento os meus melhores cumprimentos,
Gabriel Mendes
Presidente da Comissão Científica
da Federação Portuguesa
ciencia@fpe-espeleo.org
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8 de setembro de 2010
Participação Portuguesa no 15th IBRC
Entre o dia 23 e 27 de Agosto decorreu em Praga o 15th International Bat Research Conference, um importante evento de cariz internacional, onde investigadores de todo o mundo dão a conhecer os resultados dos seus trabalhos.
Este ano a comitiva portuguesa esteve muito bem representada com um total de dez participantes, nove comunicações orais e um poster. O Morceguismos deixa aqui os parabéns a todos pelas excelentes contribuições!
No sentido de dar a conhecer um pouco o importante trabalho de investigação que tem vindo a ser feito em Portugal, deixo aqui os titulos das comunicações orais e posters portugueses:
::: Comunicações Orais :::
Where is my bat? Ground-validation of presence onlymodelling and its integration with molecular techniques for the conservation of rare species
Hugo Rebelo (Unted Kingdom, Portugal), Elsa Froufe, Nuno Ferrand (Portugal), Gareth Jones (United Kingdom)
Latitudinal diversity gradients in New World bats: Are they a consequence of niche conservatism?
Maria J. Ramos Pereira, Jorge M. Palmeirim
Availability of food for frugivorous bats in Neotropical rainforests: the influence of flooding and of river banks
J. Tiago Marques, Maria João Pereira, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
How did bat parasites evolved to successfully adapt to their hosts?
Sofia Lourenço, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
Roads and bats: landscape, road features and bat ecology effects on road kills and activity
Denis Medinas, Tiago Marques, António Mira (Portugal)
The importance of distance variables in themodelling of bat foraging habitat
Ana Rainho, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
Bats and Wind Farms: relationship between bat activity and fatalities, methodologies evaluation and influence of environmental and ecological factors on mortality
Francisco Amorim, Luísa Rodrigues (Portugal)
An assessment of the suitability of tropical bats for long-term monitoring
Christoph Meyer, Ludmilla Aguiar, Luis Aguirre, Julio Baumgarten, Frank Clarke, Jean-François Cosson, Sergio Estrada Villegas, Jakob Fahr, Deborah Faria, Neil Furey, Mickaël Henry, Robert Hodgkison, Richard Jenkins, Kirsten Jung, Tigga Kingston, Thomas Kunz, Cristina MacSwiney Gonzalez, Isabel Moya, Bruce Patterson, Jean-Marc Pons, Paul Racey, Katja Rex, Erica Sampaio, Sergio Solari, Kathryn Stoner, Christian Voigt, Dietrich von Staden, Christa Weise, Elisabeth Kalko
Blind as a Bat? Comparative Genomics Brings Light to the Evolution of Color Vision in Bats
Bruno F. Simoes (Ireland), Huabin Zhao, Shuyi Zhang (China), Stephen Rossiter (UK), Emma C. Teeling (Ireland)
::: Posters :::
Conservation status of bats of the island of São Tomé (Gulf of Guinea)
Ana Rainho, Christoph F. J. Meyer, Sólveig Thorsteindóttir & Jorge M. Palmeirim (Portugal)
De realçar ainda a excelente qualidade das comunicações bem como o grande número de comunicações, confirmando que esta é uma área de investigação emergente e de extrema importância para a conservação da biodiversidade.
Por último o Morceguismos dá os parabéns a toda a organização pelo excelente trabalho!
Este ano a comitiva portuguesa esteve muito bem representada com um total de dez participantes, nove comunicações orais e um poster. O Morceguismos deixa aqui os parabéns a todos pelas excelentes contribuições!
No sentido de dar a conhecer um pouco o importante trabalho de investigação que tem vindo a ser feito em Portugal, deixo aqui os titulos das comunicações orais e posters portugueses:
::: Comunicações Orais :::
Where is my bat? Ground-validation of presence onlymodelling and its integration with molecular techniques for the conservation of rare species
Hugo Rebelo (Unted Kingdom, Portugal), Elsa Froufe, Nuno Ferrand (Portugal), Gareth Jones (United Kingdom)
Latitudinal diversity gradients in New World bats: Are they a consequence of niche conservatism?
Maria J. Ramos Pereira, Jorge M. Palmeirim
Availability of food for frugivorous bats in Neotropical rainforests: the influence of flooding and of river banks
J. Tiago Marques, Maria João Pereira, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
How did bat parasites evolved to successfully adapt to their hosts?
Sofia Lourenço, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
Roads and bats: landscape, road features and bat ecology effects on road kills and activity
Denis Medinas, Tiago Marques, António Mira (Portugal)
The importance of distance variables in themodelling of bat foraging habitat
Ana Rainho, Jorge M. Palmeirim (Portugal)
Bats and Wind Farms: relationship between bat activity and fatalities, methodologies evaluation and influence of environmental and ecological factors on mortality
Francisco Amorim, Luísa Rodrigues (Portugal)
An assessment of the suitability of tropical bats for long-term monitoring
Christoph Meyer, Ludmilla Aguiar, Luis Aguirre, Julio Baumgarten, Frank Clarke, Jean-François Cosson, Sergio Estrada Villegas, Jakob Fahr, Deborah Faria, Neil Furey, Mickaël Henry, Robert Hodgkison, Richard Jenkins, Kirsten Jung, Tigga Kingston, Thomas Kunz, Cristina MacSwiney Gonzalez, Isabel Moya, Bruce Patterson, Jean-Marc Pons, Paul Racey, Katja Rex, Erica Sampaio, Sergio Solari, Kathryn Stoner, Christian Voigt, Dietrich von Staden, Christa Weise, Elisabeth Kalko
Blind as a Bat? Comparative Genomics Brings Light to the Evolution of Color Vision in Bats
Bruno F. Simoes (Ireland), Huabin Zhao, Shuyi Zhang (China), Stephen Rossiter (UK), Emma C. Teeling (Ireland)
::: Posters :::
Conservation status of bats of the island of São Tomé (Gulf of Guinea)
Ana Rainho, Christoph F. J. Meyer, Sólveig Thorsteindóttir & Jorge M. Palmeirim (Portugal)
De realçar ainda a excelente qualidade das comunicações bem como o grande número de comunicações, confirmando que esta é uma área de investigação emergente e de extrema importância para a conservação da biodiversidade.
Por último o Morceguismos dá os parabéns a toda a organização pelo excelente trabalho!
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Comunicado Quercus
Deixamos aqui o comunicado da publicado no site site da Quercus sobre a instalação de um parque eólico próximo de um abrigo de morcegos de importância nacional. Como não poderia deixar de ser esta situação merece toda a nossa atenção.
in http://www.quercus.pt/
Parque Eólico de Alvaiázere Instala Aerogeradores Junto de Abrigo com Morcegos Ameaçados de Extinção
Estão actualmente a ser instalados aerogeradores no Parque Eólico de Alvaiázere junto de um abrigo de importância nacional para a conservação de morcegos ameaçados de extinção, em pleno Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura, sem terem sido avaliadas alternativas de localização, revelando a irresponsabilidade do ICNB – Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e uma enorme falta de responsabilidade ambiental do promotor.
A empresa que está a promover o “Parque Eólico de Alvaiázere” é a Sealve – Sociedade Eléctrica de Alvaiázere, S.A., pertencente à Finerge – Gestão de Projectos Energéticos, S.A., do grupo Endesa.
A Quercus já tinha alertado para o início das obras de construção do Parque Eólico de Alvaiázere, localizado no Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere, onde ocorreu a destruição de habitats e espécies protegidas como a azinheira.
Um dos aerogeradores - AG9 – está fora da área de Estudo Prévio do Processo de Avaliação de Impacte Ambiental e, portanto, como não foi aprovado, não devia ter sido instalado, o que revela a impunidade com que o promotor actua e a passividade das autoridades, nomeadamente do ICNB.
Quercus recorreu ao Tribunal
Entretanto, dado estarem a avançar com a obra numa área com algares, junto de um abrigo de importância nacional onde existe uma colónia com morcegos ameaçados de extinção, com a destruição dos habitats para a construção dos acessos e plataformas dos aerogeradores, a Quercus recorreu ao TAF de Leiria - Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, contestando três aerogeradores junto do algar dos morcegos para que fosse reposta a legalidade.
O TAF de Leiria decidiu a providência cautelar, referindo que o aerogerador mais próximo do Algar dos morcegos (AG4) não deverá funcionar no período em que se julga existir uma maior actividade dos morcegos.
Dado que a Decisão não salvaguarda algumas espécies protegidas com estatuto bastante ameaçado, existindo mesmo espécies com estatuto Criticamente Em Perigo de Extinção, no passado dia 17 de Agosto a Quercus recorreu da Decisão, tendo o promotor avançado com a colocação dos aerogeradores nestas últimas semanas, situação que consideramos inaceitável por parte de uma empresa do grupo da Endesa.
Aerogeradores instalados junto a abrigo de morcegos de importância nacional
Recentemente foi instalado o aerogerador n.º 4 (AG4) a cerca de 100 metros abaixo do abrigo dos morcegos - Abrigo Alvaiázere, o que representa um risco elevado para a sobrevivência destas espécies, isto antes da decisão final do processo judicial.
Convém referir que existem várias espécies de morcegos que são vulneráveis ou ameaçadas de extinção nesta zona de maciço calcário do Sítio da Rede Natura 2000. Até o estudo sobre morcegos incluído no RECAPE solicitado pelo promotor confirma a existência de 14 espécies de morcegos, com destaque para populações de morcego-de-peluche, morcego-de-ferradura-grande, morcego-de-ferradura-mourisco e morcego-rato-pequeno, das quais três apresentam um estatuto de conservação Criticamente Em Perigo de extinção, uma encontra-se Em Perigo e cinco espécies são consideradas Vulneráveis.
De salientar que a proximidade de parques eólicos junto de populações de morcegos, para além de perturbar o habitat, eleva a probabilidade de colisão e de ocorrerem traumatismos diversos (barotrauma), sendo que o Eurobats (organismo técnico europeu especializado na conservação de morcegos) aconselha que estas infra-estruturas se localizem a não menos de 5 Km de distância de abrigos.
Ministério do Ambiente não aceitou proposta de relocalização
Dada a gravidade deste processo, a Quercus sugeriu ao Secretário de Estado do Ambiente que três aerogeradores do Parque Eólico de Alvaiázere fosse deslocalizados para fora da área sensível, para uma efectiva protecção das espécies ameaçadas, mas o mesmo não considerou relevante a proposta.
Neste sentido, apesar de concordarmos com o desenvolvimento da energia eólica, enquanto fonte de energia renovável, a posição da Quercus sempre foi que a instalação dos Parques Eólicos deve ser, por princípio, efectuada fora das Áreas Protegidas e Sítios da Rede Natura, devido ao altos valores de conservação existentes e às diversas alternativas existentes fora de áreas classificadas, mas que frequentemente não são consideradas.
Desta forma deve ser responsabilizado o Ministério do Ambiente pela negligência na aprovação e falta de fiscalização deste projecto, assim como o promotor, pela total falta de responsabilidade.
Lisboa, 8 de Setembro de 2010
A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
in http://www.quercus.pt/
Parque Eólico de Alvaiázere Instala Aerogeradores Junto de Abrigo com Morcegos Ameaçados de Extinção
Estão actualmente a ser instalados aerogeradores no Parque Eólico de Alvaiázere junto de um abrigo de importância nacional para a conservação de morcegos ameaçados de extinção, em pleno Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura, sem terem sido avaliadas alternativas de localização, revelando a irresponsabilidade do ICNB – Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e uma enorme falta de responsabilidade ambiental do promotor.
A empresa que está a promover o “Parque Eólico de Alvaiázere” é a Sealve – Sociedade Eléctrica de Alvaiázere, S.A., pertencente à Finerge – Gestão de Projectos Energéticos, S.A., do grupo Endesa.
A Quercus já tinha alertado para o início das obras de construção do Parque Eólico de Alvaiázere, localizado no Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere, onde ocorreu a destruição de habitats e espécies protegidas como a azinheira.
Um dos aerogeradores - AG9 – está fora da área de Estudo Prévio do Processo de Avaliação de Impacte Ambiental e, portanto, como não foi aprovado, não devia ter sido instalado, o que revela a impunidade com que o promotor actua e a passividade das autoridades, nomeadamente do ICNB.
Quercus recorreu ao Tribunal
Entretanto, dado estarem a avançar com a obra numa área com algares, junto de um abrigo de importância nacional onde existe uma colónia com morcegos ameaçados de extinção, com a destruição dos habitats para a construção dos acessos e plataformas dos aerogeradores, a Quercus recorreu ao TAF de Leiria - Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, contestando três aerogeradores junto do algar dos morcegos para que fosse reposta a legalidade.
O TAF de Leiria decidiu a providência cautelar, referindo que o aerogerador mais próximo do Algar dos morcegos (AG4) não deverá funcionar no período em que se julga existir uma maior actividade dos morcegos.
Dado que a Decisão não salvaguarda algumas espécies protegidas com estatuto bastante ameaçado, existindo mesmo espécies com estatuto Criticamente Em Perigo de Extinção, no passado dia 17 de Agosto a Quercus recorreu da Decisão, tendo o promotor avançado com a colocação dos aerogeradores nestas últimas semanas, situação que consideramos inaceitável por parte de uma empresa do grupo da Endesa.
Aerogeradores instalados junto a abrigo de morcegos de importância nacional
Recentemente foi instalado o aerogerador n.º 4 (AG4) a cerca de 100 metros abaixo do abrigo dos morcegos - Abrigo Alvaiázere, o que representa um risco elevado para a sobrevivência destas espécies, isto antes da decisão final do processo judicial.
Convém referir que existem várias espécies de morcegos que são vulneráveis ou ameaçadas de extinção nesta zona de maciço calcário do Sítio da Rede Natura 2000. Até o estudo sobre morcegos incluído no RECAPE solicitado pelo promotor confirma a existência de 14 espécies de morcegos, com destaque para populações de morcego-de-peluche, morcego-de-ferradura-grande, morcego-de-ferradura-mourisco e morcego-rato-pequeno, das quais três apresentam um estatuto de conservação Criticamente Em Perigo de extinção, uma encontra-se Em Perigo e cinco espécies são consideradas Vulneráveis.
De salientar que a proximidade de parques eólicos junto de populações de morcegos, para além de perturbar o habitat, eleva a probabilidade de colisão e de ocorrerem traumatismos diversos (barotrauma), sendo que o Eurobats (organismo técnico europeu especializado na conservação de morcegos) aconselha que estas infra-estruturas se localizem a não menos de 5 Km de distância de abrigos.
Ministério do Ambiente não aceitou proposta de relocalização
Dada a gravidade deste processo, a Quercus sugeriu ao Secretário de Estado do Ambiente que três aerogeradores do Parque Eólico de Alvaiázere fosse deslocalizados para fora da área sensível, para uma efectiva protecção das espécies ameaçadas, mas o mesmo não considerou relevante a proposta.
Neste sentido, apesar de concordarmos com o desenvolvimento da energia eólica, enquanto fonte de energia renovável, a posição da Quercus sempre foi que a instalação dos Parques Eólicos deve ser, por princípio, efectuada fora das Áreas Protegidas e Sítios da Rede Natura, devido ao altos valores de conservação existentes e às diversas alternativas existentes fora de áreas classificadas, mas que frequentemente não são consideradas.
Desta forma deve ser responsabilizado o Ministério do Ambiente pela negligência na aprovação e falta de fiscalização deste projecto, assim como o promotor, pela total falta de responsabilidade.
Lisboa, 8 de Setembro de 2010
A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
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A Amazónia dos morcegos só se ouve no laboratório
Já tinhamos tido o prazer de publicar no Morceguismos um resumo enviado pela Maria João sobre o trabalho que, em conjunto com o João Tiago, foi realizado na bacia do Amazonas e que pode ser consultado aqui. Desta vez fica uma notícia publicada o caderno P2 do Jornal Público no passado dia 2 de Setembro.
A Amazónia dos morcegos só se ouve no laboratório
Seis meses na Amazónia branca e negra não permitiram desenhar o perfil completo da comunidade de morcegos. O nosso ouvido é cego com estes animais, é preciso gravar os sons que emitem para identificá-los mais tarde, no laboratório.
Ouvir o Cormura brevistoris é ouvir um "dó-ré-mi". O pulso emitido pelo morcego soa a um "tu-tu-tu"cada vez mais agudo. Depois do "mi", o mamífero alado lança uma nova sequência estridente. "Dó-ré-mi, tu-tu-tu." Entretanto, algures no meio da floresta, uns quantos insectos foram sendo apanhados com a ajuda deste trinado, que serve ao morcego como nos serve a nós a visão.
Foram. Porque o que estamos a ouvir é uma gravação. Em diferido, reformulada para o ouvido humano, que é limitado na sua capacidade auditiva e por isso lhe escapou, durante séculos, o maravilhoso mundo dos sons dos morcegos.
Estamos sentados numa cadeira de um laboratório da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL) com um portátil à frente e um programa que mostra sonogramas - gráficos com a representação da frequência, intensidade e duração de sequências de sons. "O pico de intensidade do pulso vê-se pelo sonograma que é mais amarelo e mais forte", explica ao P2 a investigadora Maria João Pereira.
Em 2007, a especialista em morcegos, que está a terminar o doutoramento, esteve duas temporadas de três meses cada no estado da Amazónia, no Brasil, a estudar a comunidade de morcegos na região central da floresta tropical, juntamente com João Tiago Marques. Inicialmente, apenas estava prevista a captura de morcegos em redes colocadas a diferentes alturas, para a inventariação das espécies. Com a determinação da quantidade de indivíduose de dados como a altura, o peso ou as fêmeas grávidas. Mas a leitura prévia de artigos mostrou aos dois investigadores que isso era insuficiente.
"A comunidade não fica completamente amostrada só com as redes, é preciso a amostragem dos ultra-sons", explica Maria João. Os ultra-sons são por exemplo o "tu-tu-tu" do Cormura brevistoris.
Os morcegos estão activos à noite e não se servem da visão para caçar, para isso utilizam a ecolocação. Emitem sons que se propagam pelo ar, embatem em objectos como insectos ou árvores, e retornam. Os mamíferos recebem a informação das ondas sonoras através de um sonar e constroem uma imagem tridimensional do mundo, o que lhes permite caçar uma borboleta ou desviarem-se das redes colocadas pelos cientistas.
Enquanto voam, estão continuamente nesta actividade. Como emitem sons muito agudos, em frequências superiores a 20 quilohertz, o ouvido humano não é capaz de os escutar. São os ultra-sons.
"Os morcegos insectívoros conseguem detectar muito bem as redes que utilizámos para apanhar os frugívoros [morcegos que se alimentam de fruta], por isso temos que utilizar os ultra-sons", acrescenta João Tiago, que também está a terminar o doutoramento. A meio do projecto os investigadores conseguiram adquirir gravadores de ultra-sons e durante os últimos três meses de 2007, enquanto andavam a contar os morcegos que caíam nas redes, os gravadores captavam as ecolocações destes mamíferos.
Em Portugal, fizeram a triagem das gravações e ficaram com alguns milhares de horas de "piiuus", "dó-ré-mis" ou "tus". Falta ouvir metade das horas para concluir o projecto. Os investigadores chegam a ouvir 500 gravações por dia, cada uma com cerca de 20 segundos.
Há espécies que já conseguem identificar facilmente, mas noutras só ficam com o género ou a família do morcego, uma informação muito menos específica. "Encontrar um morcego com um detector de ultra-sons é como sintonizar um rádio, dizemos que a TSF está nos 89,5 e a Radar está nos 97,8. Portanto o morcego é exactamente isso, nós andamos à procura dessas frequências", exemplifica Maria João.
Reconhecer o Cormura brevistoris é de caras, caracterizá-lo é mais difícil. "Há três frequências de pico, por isso é que temos este som "tip-tip-tip"", diz João Tiago. Estas frequências são de 25,8, 31 e 34 quilohertz: "Estão espaçados à mesma distância, por isso é que parecem três notas." A duração do pulso, neste caso a duração do "dó-ré-mi", é de 11,4 milissegundos, outro dado importante para a caracterização do som.
Na floresta, os gravadores eram activados pelos silvos dos mamíferos e por outras criaturas que também utilizam as mesmas frequências. Durante 1,7 segundos o aparelho registava os sons, depois parava até ao próximo encontro imediato.
Água clara, água escura
Muitas vezes ouve-se mais do que um morcego na mesma gravação. O Cormura, por exemplo, está sozinho, os outros ruídos ultra-sónicos que se ouvem podem ser de insectos ou aves. "É como os ultravioletas e os infravermelhos na luz, quando começámos a dominar [este conhecimento] foi um outro mundo. Aqui é a mesma coisa, há uma série de espécies que comunicam noutras frequências", explica o investigador.
O projecto foi liderado por Jorge Palmeirim da FCUL e Pedro Beja da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e centrou-se na região que fica a este de Manaus, a capital do estado do Amazonas, na reserva do Amanã, entre o lago de Amanã, a norte, e o rio Japuerá, a sul.
Esta região é única porque é influenciada por dois sistemas de água opostos. O lago Amanã é alimentado por água preta, proveniente das chuvas que caem na floresta em solos pobres em nutrientes, e o rio Japuerá é alimentado pela água branca, que tem uma cor barrenta, vem do degelo dos Andes e da erosão das encostas e é rica em nutrientes. Estes dois sistemas de água, que têm, cada um deles, um curso principal - o rio Solimões, a sul, e o rio Negro, a norte -, encontram-se em Manaus, dando origem ao rio Amazonas. Nas fotografias vê-se o contraste da cor dos dois rios.
Todos os anos, entre Abril e Junho, os cursos de água sobem e cobrem vários quilómetros quadrados de floresta. As zonas submersas por água preta, pobres em nutrientes, são os igapós. As que ficam preenchidas por água branca, rica em elementos, chamam-se várzeas. O interesse do projecto é compreender o impacto deste sistema nos morcegos.
"A pergunta que fizemos é se a diferença de nutrientes entre as águas tinha influência na comunidade", explica Maria João. No terreno fizeram percursos em zonas de igapó, várzea e terra firme, que nunca são inundadas, e fizeram contagens na altura das cheias e posteriormente, quando os terrenos já não estavam alagados. De dia contavam as árvores de fruto existentes em cada percurso, à noite contavam os morcegos que caíam nas redes.
"O que é interessante nos morcegos é que a comunidade trabalha do ponto de vista tridimensional", diz a investigadora, referindo-se à mudança das espécies, do solo até à copa das árvores, que ocupam nichos ecológicos diferentes. Para Maria João estes mamíferos são também bons modelos ecológicos pela sua diversidade - alimentam-se de insectos, pólen, néctar, frutos, animais ou sangue. "Na Amazónia temos morcegos que comem tudo, é um laboratório vivo perfeito para testar teorias ecológicas."
Com os animais capturados os investigadores concluíram que na terra firme existe mais diversidade de espécies, principalmente por haver um estrato no chão que nunca é inundado e suporta um ecossistema complexo. Mas na várzea a abundância é maior: há mais plantas, mais frutos, cada espécie tem mais indivíduos. "Na orla da terra firme ouve-se um morcego por gravação, na várzea ouvem-se três morcegos", exemplifica João Tiago. Os investigadores defendem que se os morcegos, que nem sequer estão directamente dependentes do solo, são afectados pela subida anual das águas, então toda a comunidade vai ser influenciada por este regime.
Ao todo, contaram 60 espécies diferentes e conseguiram perceber as que prevaleciam em cada região. As principais conclusões foram publicadas no ano passado no Journal of Animal Ecology. Depois de estudadas as gravações perceberam que o número de espécies era maior. "Adicionámos 15 espécies de morcegos que não capturámos com rede", refere Maria João. Eptesicus furinalis, Lasiurus ega, Promops centralis, Saccopteryx cannescens, Peropteryx kapleri, Diclidurus scutatus, Diclidurus ingens, são alguns deles.
Alguns, como o Cormura brevistoris, já tinham sido capturados nas redes. Outros, como o pescador Noctilio leporinus,não foram surpresa. "Viamo-lo a caçar na água mas, como não havia redes ali, não o conseguíamos apanhar", explica o cientista.
O Eptesicus brasiliensis é outro morcego que só apareceu nas gravações, e que se ouve agora no meio de outros dois guinchos que aparecem no sonograma. João Tiago diz que não vai ser possível destrinçar os outros dois morcegos e faz só a medição do Eptesicus. "A frequência de máxima energia é de 32,7 quilohertz", diz o cientista. É o guincho mais forte, que se repete num "ptriu"estridente.
Já encontraram espécies novas para a ciência? "É possível que sim, mas nunca vamos saber porque não trouxemos amostras", diz Maria João. O Brasil não permite a saída de amostras, o que impede a prova genética de espécies novas.
Os resultados mostram a riqueza da região. "A Guiana é considerada a região mais diversa de morcegos do mundo, tem 82 espécies", diz a cientista. Aqui já vão em 75, mas a Amazónia que ainda está por ouvir nas gravações pode aumentar o número.
A Amazónia dos morcegos só se ouve no laboratório
Seis meses na Amazónia branca e negra não permitiram desenhar o perfil completo da comunidade de morcegos. O nosso ouvido é cego com estes animais, é preciso gravar os sons que emitem para identificá-los mais tarde, no laboratório.
Ouvir o Cormura brevistoris é ouvir um "dó-ré-mi". O pulso emitido pelo morcego soa a um "tu-tu-tu"cada vez mais agudo. Depois do "mi", o mamífero alado lança uma nova sequência estridente. "Dó-ré-mi, tu-tu-tu." Entretanto, algures no meio da floresta, uns quantos insectos foram sendo apanhados com a ajuda deste trinado, que serve ao morcego como nos serve a nós a visão.
Foram. Porque o que estamos a ouvir é uma gravação. Em diferido, reformulada para o ouvido humano, que é limitado na sua capacidade auditiva e por isso lhe escapou, durante séculos, o maravilhoso mundo dos sons dos morcegos.
Estamos sentados numa cadeira de um laboratório da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL) com um portátil à frente e um programa que mostra sonogramas - gráficos com a representação da frequência, intensidade e duração de sequências de sons. "O pico de intensidade do pulso vê-se pelo sonograma que é mais amarelo e mais forte", explica ao P2 a investigadora Maria João Pereira.
Em 2007, a especialista em morcegos, que está a terminar o doutoramento, esteve duas temporadas de três meses cada no estado da Amazónia, no Brasil, a estudar a comunidade de morcegos na região central da floresta tropical, juntamente com João Tiago Marques. Inicialmente, apenas estava prevista a captura de morcegos em redes colocadas a diferentes alturas, para a inventariação das espécies. Com a determinação da quantidade de indivíduose de dados como a altura, o peso ou as fêmeas grávidas. Mas a leitura prévia de artigos mostrou aos dois investigadores que isso era insuficiente.
"A comunidade não fica completamente amostrada só com as redes, é preciso a amostragem dos ultra-sons", explica Maria João. Os ultra-sons são por exemplo o "tu-tu-tu" do Cormura brevistoris.
Os morcegos estão activos à noite e não se servem da visão para caçar, para isso utilizam a ecolocação. Emitem sons que se propagam pelo ar, embatem em objectos como insectos ou árvores, e retornam. Os mamíferos recebem a informação das ondas sonoras através de um sonar e constroem uma imagem tridimensional do mundo, o que lhes permite caçar uma borboleta ou desviarem-se das redes colocadas pelos cientistas.
Enquanto voam, estão continuamente nesta actividade. Como emitem sons muito agudos, em frequências superiores a 20 quilohertz, o ouvido humano não é capaz de os escutar. São os ultra-sons.
"Os morcegos insectívoros conseguem detectar muito bem as redes que utilizámos para apanhar os frugívoros [morcegos que se alimentam de fruta], por isso temos que utilizar os ultra-sons", acrescenta João Tiago, que também está a terminar o doutoramento. A meio do projecto os investigadores conseguiram adquirir gravadores de ultra-sons e durante os últimos três meses de 2007, enquanto andavam a contar os morcegos que caíam nas redes, os gravadores captavam as ecolocações destes mamíferos.
Em Portugal, fizeram a triagem das gravações e ficaram com alguns milhares de horas de "piiuus", "dó-ré-mis" ou "tus". Falta ouvir metade das horas para concluir o projecto. Os investigadores chegam a ouvir 500 gravações por dia, cada uma com cerca de 20 segundos.
Há espécies que já conseguem identificar facilmente, mas noutras só ficam com o género ou a família do morcego, uma informação muito menos específica. "Encontrar um morcego com um detector de ultra-sons é como sintonizar um rádio, dizemos que a TSF está nos 89,5 e a Radar está nos 97,8. Portanto o morcego é exactamente isso, nós andamos à procura dessas frequências", exemplifica Maria João.
Reconhecer o Cormura brevistoris é de caras, caracterizá-lo é mais difícil. "Há três frequências de pico, por isso é que temos este som "tip-tip-tip"", diz João Tiago. Estas frequências são de 25,8, 31 e 34 quilohertz: "Estão espaçados à mesma distância, por isso é que parecem três notas." A duração do pulso, neste caso a duração do "dó-ré-mi", é de 11,4 milissegundos, outro dado importante para a caracterização do som.
Na floresta, os gravadores eram activados pelos silvos dos mamíferos e por outras criaturas que também utilizam as mesmas frequências. Durante 1,7 segundos o aparelho registava os sons, depois parava até ao próximo encontro imediato.
Água clara, água escura
Muitas vezes ouve-se mais do que um morcego na mesma gravação. O Cormura, por exemplo, está sozinho, os outros ruídos ultra-sónicos que se ouvem podem ser de insectos ou aves. "É como os ultravioletas e os infravermelhos na luz, quando começámos a dominar [este conhecimento] foi um outro mundo. Aqui é a mesma coisa, há uma série de espécies que comunicam noutras frequências", explica o investigador.
O projecto foi liderado por Jorge Palmeirim da FCUL e Pedro Beja da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e centrou-se na região que fica a este de Manaus, a capital do estado do Amazonas, na reserva do Amanã, entre o lago de Amanã, a norte, e o rio Japuerá, a sul.
Esta região é única porque é influenciada por dois sistemas de água opostos. O lago Amanã é alimentado por água preta, proveniente das chuvas que caem na floresta em solos pobres em nutrientes, e o rio Japuerá é alimentado pela água branca, que tem uma cor barrenta, vem do degelo dos Andes e da erosão das encostas e é rica em nutrientes. Estes dois sistemas de água, que têm, cada um deles, um curso principal - o rio Solimões, a sul, e o rio Negro, a norte -, encontram-se em Manaus, dando origem ao rio Amazonas. Nas fotografias vê-se o contraste da cor dos dois rios.
Todos os anos, entre Abril e Junho, os cursos de água sobem e cobrem vários quilómetros quadrados de floresta. As zonas submersas por água preta, pobres em nutrientes, são os igapós. As que ficam preenchidas por água branca, rica em elementos, chamam-se várzeas. O interesse do projecto é compreender o impacto deste sistema nos morcegos.
"A pergunta que fizemos é se a diferença de nutrientes entre as águas tinha influência na comunidade", explica Maria João. No terreno fizeram percursos em zonas de igapó, várzea e terra firme, que nunca são inundadas, e fizeram contagens na altura das cheias e posteriormente, quando os terrenos já não estavam alagados. De dia contavam as árvores de fruto existentes em cada percurso, à noite contavam os morcegos que caíam nas redes.
"O que é interessante nos morcegos é que a comunidade trabalha do ponto de vista tridimensional", diz a investigadora, referindo-se à mudança das espécies, do solo até à copa das árvores, que ocupam nichos ecológicos diferentes. Para Maria João estes mamíferos são também bons modelos ecológicos pela sua diversidade - alimentam-se de insectos, pólen, néctar, frutos, animais ou sangue. "Na Amazónia temos morcegos que comem tudo, é um laboratório vivo perfeito para testar teorias ecológicas."
Com os animais capturados os investigadores concluíram que na terra firme existe mais diversidade de espécies, principalmente por haver um estrato no chão que nunca é inundado e suporta um ecossistema complexo. Mas na várzea a abundância é maior: há mais plantas, mais frutos, cada espécie tem mais indivíduos. "Na orla da terra firme ouve-se um morcego por gravação, na várzea ouvem-se três morcegos", exemplifica João Tiago. Os investigadores defendem que se os morcegos, que nem sequer estão directamente dependentes do solo, são afectados pela subida anual das águas, então toda a comunidade vai ser influenciada por este regime.
Ao todo, contaram 60 espécies diferentes e conseguiram perceber as que prevaleciam em cada região. As principais conclusões foram publicadas no ano passado no Journal of Animal Ecology. Depois de estudadas as gravações perceberam que o número de espécies era maior. "Adicionámos 15 espécies de morcegos que não capturámos com rede", refere Maria João. Eptesicus furinalis, Lasiurus ega, Promops centralis, Saccopteryx cannescens, Peropteryx kapleri, Diclidurus scutatus, Diclidurus ingens, são alguns deles.
Alguns, como o Cormura brevistoris, já tinham sido capturados nas redes. Outros, como o pescador Noctilio leporinus,não foram surpresa. "Viamo-lo a caçar na água mas, como não havia redes ali, não o conseguíamos apanhar", explica o cientista.
O Eptesicus brasiliensis é outro morcego que só apareceu nas gravações, e que se ouve agora no meio de outros dois guinchos que aparecem no sonograma. João Tiago diz que não vai ser possível destrinçar os outros dois morcegos e faz só a medição do Eptesicus. "A frequência de máxima energia é de 32,7 quilohertz", diz o cientista. É o guincho mais forte, que se repete num "ptriu"estridente.
Já encontraram espécies novas para a ciência? "É possível que sim, mas nunca vamos saber porque não trouxemos amostras", diz Maria João. O Brasil não permite a saída de amostras, o que impede a prova genética de espécies novas.
Os resultados mostram a riqueza da região. "A Guiana é considerada a região mais diversa de morcegos do mundo, tem 82 espécies", diz a cientista. Aqui já vão em 75, mas a Amazónia que ainda está por ouvir nas gravações pode aumentar o número.
18 de agosto de 2010
Ciência Viva no Verão 2010
Durante este ano as actividades de morcegos inseridas no Ciência Viva no Verão 2010 são ínumeras, o que comprova o interesse demonstrado pelo público.

Destaque para o mês de Setembro das actividades
Morcegos no Jardim de Serralves (Porto) dia 4 de Setembro Lista de Espera e Morcegos no Jardim Tropical (Lisboa) dia 11 de Setembro Lista de Espera. Ambos organizadas pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO - ICETA/UP).
Para além destas existem ainda muitas outras iniciativas:
- Noite dos Morcegos no Centro Ciência Viva do Alviela/Município de Alcanena. Datas: 20, 21, 27 e 28 de Agosto e 3 e 4 de Setembro.
- Voar com as mãos e ver com os ouvidos pelo Museu de História Natural, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto. Datas: 27 de Agosto
- Morcegos da Terra Quente Transmontana pelo Município de Macedo de Cavaleiros. Datas: 11 de Setembro
Para mais informações consultem a página oficial Ciência Viva.

Destaque para o mês de Setembro das actividades
Morcegos no Jardim de Serralves (Porto) dia 4 de Setembro Lista de Espera e Morcegos no Jardim Tropical (Lisboa) dia 11 de Setembro Lista de Espera. Ambos organizadas pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO - ICETA/UP).
Para além destas existem ainda muitas outras iniciativas:
- Noite dos Morcegos no Centro Ciência Viva do Alviela/Município de Alcanena. Datas: 20, 21, 27 e 28 de Agosto e 3 e 4 de Setembro.
- Voar com as mãos e ver com os ouvidos pelo Museu de História Natural, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto. Datas: 27 de Agosto
- Morcegos da Terra Quente Transmontana pelo Município de Macedo de Cavaleiros. Datas: 11 de Setembro
Para mais informações consultem a página oficial Ciência Viva.
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4 de agosto de 2010
Abrigo de Morcegos
Depois de eu ter entregue os planos para uma nova caixa-abrigo e de ter dado algumas indicações mais técnicas, o Manel terminou o abrigo. Resta agradecer e dizer que valeu a pena esperar, este é um hotel de luxo inspirado no modelo "Two-chamber Rocket Box" mas com algumas adaptações... Agora é esperar para ver se os morcegos gostam!


Para quem estiver interessado em saber mais sobre a construção de caixas abrigo sugiro a consulta de Tuttle M.D., Kiser M. & Kiser S. (1993) The Bat House Builder's Handbook. Bat Conservation International. 35 pp
Para quem estiver interessado em saber mais sobre a construção de caixas abrigo sugiro a consulta de Tuttle M.D., Kiser M. & Kiser S. (1993) The Bat House Builder's Handbook. Bat Conservation International. 35 pp
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14 de julho de 2010
Venha conhecer os morcegos!
Nos últimos anos o interesse pelos morcegos, bem como o seu conhecimento, tem aumentado de forma significativa entre a comunidade civil. Mas este resultado só tem sido possível pelo empenho e dedicação de um grupo (felizmente) cada vez maior de pessoas que se multiplicam em diversas acções de sensibilização em todo o país.
Já no próximo fim-de-semana realizam-se os seguintes passeios: Morcegos no Castelo e Morcegos no Mosteiro são iniciativas conjuntas entre a empresa Natuga, o Castelo de são Jorge (Lisboa) e o Mosteiro de Tibães (Braga), respectivamente, que se realizam todos os meses, sendo as próximas saídas dia 16 e 17 de Julho (Castelo e Mosteiro), 14 de Agosto e 3 de Setembro (Mosteiro). Para mais informações e inscrições consulte os sites Natuga e Mosteiro de Tibães.
O GPS (Grupo de
Protecção de Sicó) organiza também no próximo dia 17 de Julho a 3ª Noite de Morcegos de Pombal, com um passeio junto ao Rio Arunca, onde se espera ver e ouvir algumas das espécies que utilizam a zona do rio como área de alimentação. A mesma organização promove no dia 28 de Agosto a 4ª Noite de Morcegos de Pombal que se insere na 14ª Noite Europeia dos Morcegos. Para mais informações e inscrições consulte o site do GPS.
O CMIA de Vila d
o Conde organiza no dia 23 de Julho o Workshop A realidade oculta dos morcegos. Esta actividade será dividida em duas partes, com uma componente teórica que abordará diversos aspectos o comportamento e biologia dos morcegos, e uma componente prática de observação e localização de morcegos. Para mais informações e inscrições consulte o site do CMIA.
Já no próximo fim-de-semana realizam-se os seguintes passeios: Morcegos no Castelo e Morcegos no Mosteiro são iniciativas conjuntas entre a empresa Natuga, o Castelo de são Jorge (Lisboa) e o Mosteiro de Tibães (Braga), respectivamente, que se realizam todos os meses, sendo as próximas saídas dia 16 e 17 de Julho (Castelo e Mosteiro), 14 de Agosto e 3 de Setembro (Mosteiro). Para mais informações e inscrições consulte os sites Natuga e Mosteiro de Tibães.O GPS (Grupo de
Protecção de Sicó) organiza também no próximo dia 17 de Julho a 3ª Noite de Morcegos de Pombal, com um passeio junto ao Rio Arunca, onde se espera ver e ouvir algumas das espécies que utilizam a zona do rio como área de alimentação. A mesma organização promove no dia 28 de Agosto a 4ª Noite de Morcegos de Pombal que se insere na 14ª Noite Europeia dos Morcegos. Para mais informações e inscrições consulte o site do GPS.O CMIA de Vila d
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2 de junho de 2010
Quanto custa um morcego?
É normal para quem trabalha em conservação deparar-se várias vezes com esta questão. Mas afinal quanto custa a biodiversidade? Esta é uma pergunta frequentemente colocada pelos decisores políticos que gostam sempre de atribuir um valor a tudo, mas a atribuição de um valor económico à biodiversidade tem sido difícil de implementar e não é de todo consensual entre conservacionistas.
A BBC publicou recentemente um artigo intitulado "¿Cuánto cuesta un río? ¿Y un bosque?" e que tem por base os resultados até agora obtidos pela TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity). Nele Carlos Muñoz, que integra o TEEB, cita um artigo com o título "Economic value of the pest control service provided by Brazilian free-tailed bats in south-central Texas" em que os autores determinaram que os morcegos da espécie Tadarida brasiliensis têm um valor anual estimado de $741 000. Valor calculado com base na capacidade desta espécie actuar como insecticida, consumindo grandes quantidades de insectos cujas larvas são importantes pragas agrícolas da produção de algodão.
Certamente muitos de nós também já nos deparámos com a pergunta "Quanto custa um morcego?", para esta pergunta temos agora uma respostas parcial. Pessoalmente, apesar de reconhecer a importância de atribuir indicadores mensuráveis à biodiversidade, prefiro sempre citar uma frase de John D. Altringham no seu livro "Bats, Biology and Behaviour"
A BBC publicou recentemente um artigo intitulado "¿Cuánto cuesta un río? ¿Y un bosque?" e que tem por base os resultados até agora obtidos pela TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity). Nele Carlos Muñoz, que integra o TEEB, cita um artigo com o título "Economic value of the pest control service provided by Brazilian free-tailed bats in south-central Texas" em que os autores determinaram que os morcegos da espécie Tadarida brasiliensis têm um valor anual estimado de $741 000. Valor calculado com base na capacidade desta espécie actuar como insecticida, consumindo grandes quantidades de insectos cujas larvas são importantes pragas agrícolas da produção de algodão.
Certamente muitos de nós também já nos deparámos com a pergunta "Quanto custa um morcego?", para esta pergunta temos agora uma respostas parcial. Pessoalmente, apesar de reconhecer a importância de atribuir indicadores mensuráveis à biodiversidade, prefiro sempre citar uma frase de John D. Altringham no seu livro "Bats, Biology and Behaviour"
Why conserve bats? First and foremost, for a reason we do not see stated as often as we should in conservation arguments: because they have a right to a place on this planet. Bats are part of the global ecosystem, with a part to play in its survival and evolution.
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13 de maio de 2010
The Life of Mammals
Para muitos o carismático David Attenborough representa todo um universo mágico dos valores naturais. Quantos de nós não cresceram (em idade ou mentalidade) a ver os seus documentários, com o carimbo da BBC, muitos dos quais são um marco na história das séries documentais sobre a natureza, como o Life on Earth (1979), The Life of Birds (1998) ou The Life of Mammals (2002). Pessoalmente cresci mergulhado em livros com fotografias e comentários de Attenborough, e acredito que este simpático senhor, sempre impecavelmente vestido no campo, desempenhou o seu papel no meu interesse pela conservação da natureza.
Recupero aqui um excerto do The Life of Mammals, com as magníficas imagens a que Attenborough sempre nos habituou e uma voz que rapidamente se identifica.
Recupero aqui um excerto do The Life of Mammals, com as magníficas imagens a que Attenborough sempre nos habituou e uma voz que rapidamente se identifica.
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5 de maio de 2010
Cidades italianas recorrem a morcegos como alternativa aos insecticidas
Já não é a primeira vez que chamamos a atenção para o potencial dos morcegos enquanto predadores de pragas agrícolas e até mesmo controladores da população de insectos nas zonas urbanas. Aqui fica mais um exemplo que nos chega de Itália
Cidades italianas recorrem a morcegos como alternativa aos insecticidas
in Ciência Hoje
A Universidade de Florença, em Itália, lançou uma campanha intitulada “Um Morcego Amigo”, cujo objectivo é envolver a população na conservação deste animal, assim como integrá-lo num sistema biológico para eliminar mosquitos, em alternativa a insecticidas.
Grande parte das cidades italianas aderiu a esta iniciativa, pelo que estão a colocar em vários locais públicos caixas de madeira que servem de refúgio para que os morcegos - considerados excelentes predadores de insectos – possam hibernar e reproduzir-se.
Esta campanha pretende ainda trazer de volta às cidades estes mamíferos voadores que, devido à poluição do ar e à falta de locais para se instalarem, foram desaparecendo destes meios urbanos, sendo que a quantidade de mosquitos foi aumentando gradualmente.
A campanha iniciada em 2006 na cidade de Fiesole, na região da Toscana, já foi alargada a todo o país. Foram distribuídas mais de oito mil caixas - Bat Box- com compartimentos diferenciados, visto que as fêmeas preferem a parte mais quente, que fica em cima, e os machos, que gostam mais de frio, ficam na parte baixa.
Estes refúgio
s, que podem albergar até 30 morcegos, são colocados em árvores ou no exterior de prédios, a quatro metros de altura.De forma a atrair os morcegos, os caixas foram envelhecidas e têm paredes ásperas com cortes que possibilitam que os morcegos fiquem pendurados de cabeça para baixo.
Passados quatro anos desde o início deste projecto, já foi verificado um aumento da população de morcegos nas cidades que aderiram à iniciativa, embora a colonização seja demorada e só tenha chegado aos 40 por cento.
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Controlo de pragas em Deltona
Quando a conservação e a cultura andam de mãos dadas
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A Universidade de Florença, em Itália, lançou uma campanha intitulada “Um Morcego Amigo”, cujo objectivo é envolver a população na conservação deste animal, assim como integrá-lo num sistema biológico para eliminar mosquitos, em alternativa a insecticidas.
Grande parte das cidades italianas aderiu a esta iniciativa, pelo que estão a colocar em vários locais públicos caixas de madeira que servem de refúgio para que os morcegos - considerados excelentes predadores de insectos – possam hibernar e reproduzir-se.
Esta campanha pretende ainda trazer de volta às cidades estes mamíferos voadores que, devido à poluição do ar e à falta de locais para se instalarem, foram desaparecendo destes meios urbanos, sendo que a quantidade de mosquitos foi aumentando gradualmente.
A campanha iniciada em 2006 na cidade de Fiesole, na região da Toscana, já foi alargada a todo o país. Foram distribuídas mais de oito mil caixas - Bat Box- com compartimentos diferenciados, visto que as fêmeas preferem a parte mais quente, que fica em cima, e os machos, que gostam mais de frio, ficam na parte baixa.
Estes refúgio
s, que podem albergar até 30 morcegos, são colocados em árvores ou no exterior de prédios, a quatro metros de altura.De forma a atrair os morcegos, os caixas foram envelhecidas e têm paredes ásperas com cortes que possibilitam que os morcegos fiquem pendurados de cabeça para baixo.Passados quatro anos desde o início deste projecto, já foi verificado um aumento da população de morcegos nas cidades que aderiram à iniciativa, embora a colonização seja demorada e só tenha chegado aos 40 por cento.
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30 de abril de 2010
Tese de mestrado: "Morcegos e parques Eólicos"
Recentemente defendi a minha tese de mestrado com o título "Morcegos e Parques Eólicos: relação entre o uso do espaço e a mortalidade, avaliacão de metodologias, e influência de factores ambientais e ecológicos sobre a mortalidade".
Mais do que discutir a dimensão da mortalidade ou o potencial impacto destes projectos, pretende ser um manual com algumas indicações interessantes para todos os que têm desenvolvido trabalho nesta área.
(carregue na imagem para aceder ao documento)
Mais do que discutir a dimensão da mortalidade ou o potencial impacto destes projectos, pretende ser um manual com algumas indicações interessantes para todos os que têm desenvolvido trabalho nesta área.
(carregue na imagem para aceder ao documento)Resumo
Actualmente assiste-se a uma aposta crescente em energia eólica sendo que, em muitos casos, os estudos de monitorização e acompanhamento destes projecto têm revelado mortalidade de morcegos. Este trabalho pretende avaliar a eficácia dos métodos geralmente utilizados na previsão dos impactes destes projectos, bem como compreender a forma como algumas variáveis influenciam a mortalidade, e como esta pode depender da ecologia de determinadas espécies.
O estudo decorreu no Parque Eólico de Candal-Coelheira, localizado no litoral norte de Portugal, entre Março e Outubro de 2007; o Parque engloba 20 aerogeradores, Determinou-se a utilização do espaço com detectores de ultra-sons em 20 pontos de amostragem, e a mortalidade num raio de 50 metros em redor de cada aerogerador. Sempre que possível os trabalhos realizaram-se semanalmente e as amostragens de utilização do espaço decorreram na noite anterior à prospecção de cadáveres. A análise estatística permitiu avaliar a relação entre as variáveis meteorológicas e a actividade e mortalidade. A mortalidade total foi estimada utilizando duas fórmulas, tendo sido necessário avaliar a eficiência de detecção dos observadores bem com a taxa de remoção de cadáveres.
Identificou-se uma relação entre a actividade e a mortalidade, em ambos os casos as espécies Nyctalus leisleri e as do género Pipistrellus foram as mais representativas. Os maiores valores de actividade e mortalidade registaram-se entre Agosto e Outubro. A actividade e a mortalidade revelaram uma correlação significativa com as variáveis meteorológicas velocidade do vento, temperatura e humidade relativa, sendo que a mortalidade parece ainda estar relacionada com os ventos SE. Os resultados indicam que as condições de visibilidade influenciam a eficiência de detecção, enquanto os testes de remoção não revelaram diferenças na utilização de ratos ou morcegos. A estimativa de mortalidade revelou diferenças entre as fórmulas utilizadas, sendo a fórmula de Arnett (2005) mais robusta.
Actualmente assiste-se a uma aposta crescente em energia eólica sendo que, em muitos casos, os estudos de monitorização e acompanhamento destes projecto têm revelado mortalidade de morcegos. Este trabalho pretende avaliar a eficácia dos métodos geralmente utilizados na previsão dos impactes destes projectos, bem como compreender a forma como algumas variáveis influenciam a mortalidade, e como esta pode depender da ecologia de determinadas espécies.
O estudo decorreu no Parque Eólico de Candal-Coelheira, localizado no litoral norte de Portugal, entre Março e Outubro de 2007; o Parque engloba 20 aerogeradores, Determinou-se a utilização do espaço com detectores de ultra-sons em 20 pontos de amostragem, e a mortalidade num raio de 50 metros em redor de cada aerogerador. Sempre que possível os trabalhos realizaram-se semanalmente e as amostragens de utilização do espaço decorreram na noite anterior à prospecção de cadáveres. A análise estatística permitiu avaliar a relação entre as variáveis meteorológicas e a actividade e mortalidade. A mortalidade total foi estimada utilizando duas fórmulas, tendo sido necessário avaliar a eficiência de detecção dos observadores bem com a taxa de remoção de cadáveres.
Identificou-se uma relação entre a actividade e a mortalidade, em ambos os casos as espécies Nyctalus leisleri e as do género Pipistrellus foram as mais representativas. Os maiores valores de actividade e mortalidade registaram-se entre Agosto e Outubro. A actividade e a mortalidade revelaram uma correlação significativa com as variáveis meteorológicas velocidade do vento, temperatura e humidade relativa, sendo que a mortalidade parece ainda estar relacionada com os ventos SE. Os resultados indicam que as condições de visibilidade influenciam a eficiência de detecção, enquanto os testes de remoção não revelaram diferenças na utilização de ratos ou morcegos. A estimativa de mortalidade revelou diferenças entre as fórmulas utilizadas, sendo a fórmula de Arnett (2005) mais robusta.
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27 de março de 2010
Infraestruturas e mortalidade de fauna
Passou recentemente no programa Biosfera da RTP2 uma interessante reportagem sobre o impacto de várias infraestrutras nos níveis de mortalidade da fauna silvestre. O Projecto MOVE, da Unidade de Biologia da Conservação da Universidade de Évora, foi o mote para esta peça, mas falou-se também de aerogeradores e linhas eléctricas.
Como não podia deixar de ser os morcegos marcaram presença, e os resultados preliminares do Projecto MOVE indicam que a mortalidade de morcegos por atropelamento pode ser uma importante ameaça para as populações.
Parabéns a todos os interveniente pelos excelentes contributos!
Como não podia deixar de ser os morcegos marcaram presença, e os resultados preliminares do Projecto MOVE indicam que a mortalidade de morcegos por atropelamento pode ser uma importante ameaça para as populações.
Parabéns a todos os interveniente pelos excelentes contributos!
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24 de março de 2010
BCI aplaude sentença federal
A Bat Conservation International (BCI) aplaude a sentença de um juiz federal de Kentucky que condenou dois cidadãos deste estado, depois de estes terem confessado matar em 2007 indíviduos da espécie Myotis sodalis, uma espécie protegida e em perigo. Este incidente ocorreu numa gruta que é um importante abrigo de hibernação para esta espécie.

A mesma organização afirma que, actos de vandalismo e crueldade para com os morcegos foram uma das razões pela qual a BCI foi fundada. Ao longo do tempo a ONG tem realizado um importante trabalho na sensibilização e educação do público em geral, o que tem contribuido de forma decisiva para diminuir casos lamentáveis como este, mas esta ocorrência vem uma vez mais reforçar a necessidade de continuar com este importante trabalho.

A mesma organização afirma que, actos de vandalismo e crueldade para com os morcegos foram uma das razões pela qual a BCI foi fundada. Ao longo do tempo a ONG tem realizado um importante trabalho na sensibilização e educação do público em geral, o que tem contribuido de forma decisiva para diminuir casos lamentáveis como este, mas esta ocorrência vem uma vez mais reforçar a necessidade de continuar com este importante trabalho.
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10 de março de 2010
Libertação: 25 de Fevereiro de 2010
Ultimamente são cada vez mais os relatos que nos chegam de morcegos entregues em centros de recuperação de animais, um indicador de que o público em geral está mais alerta para a necessidade de conservação deste grupo. Deixo-vos o relato de uma libertação de um Morcego-de-peluche pelo Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa (post original).
Libertação de um morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii)
25 de Fevereiro de 2010
Quinta de Marim, Olhão


Este pequeno mamífero foi encontrado e recolhido pelos vigilantes da natureza do Parque Natural da Ria Formosa que o encaminharam para o RIAS. Apresentava-se bastante molhado quando chegou ao centro tendo o processo de recuperação envolvido secagem e alimentação.
Este indivíduo tinha sido anilhado em Alte no ano de 2004, sendo esta recaptura um importante registo para o estudo a decorrer.
Por se encontrar bastante activo e apto para ser devolvido à natureza, foi libertado, ao escurecer, na Quinta de Marim, tendo sido baptizado pelos presentes de "Sebastião, o Conde de Contar".
Libertação de um morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii)
25 de Fevereiro de 2010
Quinta de Marim, Olhão
Este pequeno mamífero foi encontrado e recolhido pelos vigilantes da natureza do Parque Natural da Ria Formosa que o encaminharam para o RIAS. Apresentava-se bastante molhado quando chegou ao centro tendo o processo de recuperação envolvido secagem e alimentação.
Este indivíduo tinha sido anilhado em Alte no ano de 2004, sendo esta recaptura um importante registo para o estudo a decorrer.
Por se encontrar bastante activo e apto para ser devolvido à natureza, foi libertado, ao escurecer, na Quinta de Marim, tendo sido baptizado pelos presentes de "Sebastião, o Conde de Contar".
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Arquitectura urbana, verdadeira armadilha para algumas espécies de morcegos
Post original no blog da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza

São várias as vezes que os Vigilantes da Natureza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros afectos ao programa “Coabitação e exclusão de morcegos” (ver aqui) são chamados a intervir perante a solicitação de particulares.
Hoje foi mais um dia em que foram contactados para recolher um morcego que já há 2 dias teimava em não sair de uma varanda de um apartamento em Santarém e cuja residente tinha pavor do animal, embora tivesse consciência de se tratar de espécie protegida e querer ajudar com a melhor boa vontade. Dizia-nos que o animal não conseguia voar e que deveria estar ferido ou debilitado.
Quando nos deslocamos ao local, deparámos com uma varanda de 1m de largura (com parede em volta com mais de 1m de altura) forrada a mosaico vidrado e com um aparelho de ar condicionado colocado junto a um dos extremos. Entre o dito aparelho e a parede (sem qualquer aderência), existia uma fresta de cerca de 2 cm.
Tratava-se de um morcego-rabudo (Tadarida teniotis), uma das espécies de morcegos maiores da Europa, que decerto achou confortável o abrigo proporcionado pelo espaço ente o dito aparelho de ar condicionado e a parede. O grande problema que encontrou foi quando pretendeu sair. Sem aderência para conseguir subir em qualquer parede, sem aderência e espaço suficiente no chão da dita varanda, bem como a elevação e estanquicidade das paredes, tentava em vão levantar voo sem qualquer sucesso, tal como uma pessoa a tentar subir um pau de sebo extremamente engordurado.
De facto, ao nos depararmos com a situação, percebemos que alguns detalhes da arquitectura urbana são de facto autênticas armadilhas para algumas espécies de morcegos. Entram, mas dificilmente conseguem sair.

O Morcego-rabudo (Tadarida teniotis) é uma das espécies de quirópteros menos conhecidas em Portugal, não existindo até à data informação adequada para avaliar o risco de extinção, nomeadamente quanto à redução do tamanho da população e à tendência de declínio. Ver estatuto da espécie segundo o Livro Vermelho do Vertebrados de Portugal.
Esta espécie encontra-se no Anexo BIV da Directiva Habitat, sendo de interesse comunitário, cuja conservação exige protecção rigorosa.



O exemplar, após observação, não mostrando qualquer traumatismo nem sintomas de debilidade, foi libertado ao anoitecer com sucesso.
Nota: Todos os Vigilantes da Natureza que procedem à manipulação de morcegos, têm vacinação anti-rábica em dia. Não é de todo aconselhável manusear um morcego de mãos nuas por quem não está habilitado nem vacinado.
Texto e fotos: Francisco Barros

São várias as vezes que os Vigilantes da Natureza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros afectos ao programa “Coabitação e exclusão de morcegos” (ver aqui) são chamados a intervir perante a solicitação de particulares.
Hoje foi mais um dia em que foram contactados para recolher um morcego que já há 2 dias teimava em não sair de uma varanda de um apartamento em Santarém e cuja residente tinha pavor do animal, embora tivesse consciência de se tratar de espécie protegida e querer ajudar com a melhor boa vontade. Dizia-nos que o animal não conseguia voar e que deveria estar ferido ou debilitado.
Quando nos deslocamos ao local, deparámos com uma varanda de 1m de largura (com parede em volta com mais de 1m de altura) forrada a mosaico vidrado e com um aparelho de ar condicionado colocado junto a um dos extremos. Entre o dito aparelho e a parede (sem qualquer aderência), existia uma fresta de cerca de 2 cm.
Tratava-se de um morcego-rabudo (Tadarida teniotis), uma das espécies de morcegos maiores da Europa, que decerto achou confortável o abrigo proporcionado pelo espaço ente o dito aparelho de ar condicionado e a parede. O grande problema que encontrou foi quando pretendeu sair. Sem aderência para conseguir subir em qualquer parede, sem aderência e espaço suficiente no chão da dita varanda, bem como a elevação e estanquicidade das paredes, tentava em vão levantar voo sem qualquer sucesso, tal como uma pessoa a tentar subir um pau de sebo extremamente engordurado.
De facto, ao nos depararmos com a situação, percebemos que alguns detalhes da arquitectura urbana são de facto autênticas armadilhas para algumas espécies de morcegos. Entram, mas dificilmente conseguem sair.

O Morcego-rabudo (Tadarida teniotis) é uma das espécies de quirópteros menos conhecidas em Portugal, não existindo até à data informação adequada para avaliar o risco de extinção, nomeadamente quanto à redução do tamanho da população e à tendência de declínio. Ver estatuto da espécie segundo o Livro Vermelho do Vertebrados de Portugal.
Esta espécie encontra-se no Anexo BIV da Directiva Habitat, sendo de interesse comunitário, cuja conservação exige protecção rigorosa.



O exemplar, após observação, não mostrando qualquer traumatismo nem sintomas de debilidade, foi libertado ao anoitecer com sucesso.
Nota: Todos os Vigilantes da Natureza que procedem à manipulação de morcegos, têm vacinação anti-rábica em dia. Não é de todo aconselhável manusear um morcego de mãos nuas por quem não está habilitado nem vacinado.
Texto e fotos: Francisco Barros
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Serras de Aire e Candeeiros
28 de fevereiro de 2010
Não se esqueçam de votar no Morceguismos
Todos os anos conhecida marca de cerveja protagoniza um dos mais reconhecidos concursos dedicados à Blogoesfera, os Super Blog Awards. Este ano o Morceguismos foi inscrito na categoria de Ciência, ambiente e energia. Tendo em conta a projecção que estes prémios têm vindo a adequirir considero que esta é uma importante forma de dar a conhecer e de sensibilizar a população em geral para a importância da conservação dos
morcegos.
Assim, gostaria de pedir a todos os que se revejam nesta causa que votem no Morceguismos em e caso considerem pertinente, reenviem para os vossos contactos.
Se o Morceguismos vencer, o prémio será utilizado em prol da conservação de morcegos.
Desde já agradeço a todos os que têm mantido o interesse por este fantástico grupo.
morcegos.
Assim, gostaria de pedir a todos os que se revejam nesta causa que votem no Morceguismos em e caso considerem pertinente, reenviem para os vossos contactos.
Se o Morceguismos vencer, o prémio será utilizado em prol da conservação de morcegos.
Desde já agradeço a todos os que têm mantido o interesse por este fantástico grupo.
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Super Blog Awards
27 de fevereiro de 2010
Rhinolophus ferrumequinum
(in Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal)
Tipo de ocorrência: Residente
Classificação: VULNERÁVEL (VU)
Fundamentação: A espécie tem uma população pequena (inferior a 10.000 indivíduos maduros) com todos os indivíduos na mesma subpopulação; admite-se um declínio continuado do número de indivíduos maduros e da qualidade do habitat.
Distribuição: O morcego-de-ferradura-grande distribui-se pela Eurásia temperada, da Península Ibérica ao Japão e do Noroeste africano à Índia (Ransome 1999).
Em Portugal, é mais comum no Norte e no Centro, aparecendo apenas esporadicamente no Algarve (Palmeirim et al. 1999).
População: A população nacional desta espécie é constituída por poucos milhares de
indivíduos.
Foram documentados importantes declínios em vários países da Europa, como por exemplo no Reino Unido (Stebbings 1988, Ransome 1999). A análise datendência populacional desta espécie no nosso país não é conclusiva (Rodrigues et al. 2003).
Habitat: As colónias de criação abrigam-se principalmente em grandes edifícios, mas podem também utilizar grutas e minas, locais onde estes animais em geral hibernam (Palmeirim et al. 1999).
Parece caçar em zonas bem arborizadas, utilizando ocasionalmente áreas abertas próximas destas (Jones & Morton 1992).
Factores de Ameaça: As principais ameaças parecem estar ligadas à degradação do habitat por acção do Homem, tanto pela destruição de abrigos como pela alteração de áreas de
alimentação e pelo uso de pesticidas.
A perda de abrigos é particularmente nefasta nesta espécie, frequentemente devido ao bloqueio das entradas de pequenas minas por vegetação e à completa degradação ou recuperação descuidada de casas abandonadas.
Encontra-se particularmente sujeita a mortalidade por atropelamento, por ser uma espécie de voo baixo.
Medidas de Conservação: A protecção legal dos mais importantes abrigos de criação e hibernação desta espécie é uma importante medida de conservação. Da mesma forma, a limpeza
periódica das entradas de minas de água, evitando que sejam cobertas por vegetação e obras de manutenção de casas abandonadas regularmente utilizadas como abrigo, deverão ser tidas em conta.
Deverão ser elaborados e implementados planos de gestão do habitat nas áreas envolventes aos principais abrigos e continuar o programa de monitorização das populações desta espécie.
A racionalização do uso de pesticidas e a realização de acções de sensibilização poderão também beneficiar esta espécie.
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Rhinolophus ferrumequinum
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