Por cá não é muito comum ouvir-se falar-se de problemas com morcegos em edifícios de utilização pública, e muito menos de extremínio de animais, mas na Argentina, no passado dia 20 de Janeiro, foi publicada uma notícia com o título "Invasión de Murciélagos en Tribunales de Argentina".
De acordo com a notícia os morcegos teriam "invadido" um tribunal. Esta notícia desencadeou uma interessante troca de ideias na lista de discussão do PCMA (Programa de Conservación de Murciélagos de Argentina). Tendo em conta a grande expansão urbana que se verifica um pouco por todo o mundo, os morcegos, como outros animais, ao perderem importantes áreas de abrigo encontram nos edifícios e estruturas urbanas uma oportunidade de abrigo. A falta de informação e conhecimento, bem como os mitos criados em torno dos morcegos fazem com que estes sejam muitas vezes tratados como uma "praga" que não são. Para este comportamento muito contribuem as notícias alarmistas de media pouco informados sobre estes assuntos.
Uma das primeiras ideias que gostaria de realçar é que, provavelmente, os morcegos não invadiram os tribunais, e já estariam a utilizar o edifício como local de abrigo (por exemplo o sótão). Em resultado de algum tipo de perturbação os animais terão abandonado o local de abrigo durante o dia, começando a voar no interior do edifício, importa realçar que os morcegos são animais de hábitos nocturnos pelo que esta é uma situação bastante atípica. Uma das principais preocupações da PCMA prendeu-se com a forma como as autoridades poderiam estar a lidar com a situação, nomeadamente a possibilidade de envenenamento dos indivíduos. Esta "solução" pode resultar em maiores riscos para a saúde pública já que poderá haver maior contacto entre humanos e morcegos moribundos, e consequentemente maior probabilidade de transmissão de raiva.
Numa rápida resposta a PCMA decidiu enviar um comunicado de imprensa a vários media argentinos, esperando com isso ter a oportunidade de prestar alguns esclarecimentos e contribuir para uma discussão aberta e construtiva.
Porque nunca é demais relembrar, em portugal o ICNB garante a exclusão de morcegos em edifícios, bastando para isso contactar esta instituição.
Em baixo deixo o comunicado (em Espanhol):
Soy miembro del Programa de Conservación de los Murciélagos de Argentina PCMA que trabaja a nivel nacional y al que pertenecen científicos, biólogos y ciudadanos en general, interesados en proteger a estos animales beneficiosos e indefensos. Quiero aclarar que los murciélagos son mamíferos de gran importancia para el Ecosistema. Son muy útiles para mantener el equilibrio ecológico de diversas plagas de insectos, de los que se alimentan. Lamentablemente en las áreas urbanas suelen elegir construcciones hechas por el hombre para formar colonias y tener a sus crías. La falta de información y de conocimiento y los mitos que se han creado alrededor de estos mamíferos hace que sean perseguidos como "plagas", lo que definitivamente no son.
Seguramente lo que ha sucedido en los Tribunales de Bahía Blanca no es una "invasión" como ha sido planteada. Es muy probable que los murciélagos habiten este edificio desde hace ya mucho tiempo y algo debe haber sucedido para que el hombre descubriera su presencia allí. Los murciélagos tienen hábitos nocturnos y no se ven volando de dia.
Hay protocolos de exclusión que establecen cual es la mejor forma para excluirlos de un edificio cuando su presencia no es deseada. Estos protocolos protegen la vida de los murciélagos y la salud del hombre. El exterminio mediante veneno es muy peligroso y contraindicado para la salud del ser humano. Además de que los tóxicos son tóxicos para ambas especies, los murciélagos moribundos caen al suelo y pueden entrar en contacto con la gente. En el hipotético caso de que alguno de ellos este infectado con rabia, las posibilidades de que alguien toque un murciélago y sea mordido, aumentan considerablemente con respecto a las condiciones normales en que ambos grupos ( murciélagos y humanos ) conviven naturalmente.
Me ofrezco para que se contacten conmigo para ampliar el tema a cerca del que tengo mucho que decir y que puede asombrar a mas de uno.
El PCMA tiene una pagina en www.pidba.com.ar donde hay un link al PCMA. Ente otros, nuestros objetivos son desmitificar a los murciélagos, informar a la población como debe proceder si encuentran un murciélago caído o que haya entrado en alguna habitación de la casa, como proceder ante la presencia de colonias en lugares no deseados y cual es realmente el riesgo de contraer la rabia por contagio de un murciélago. Adelanto que la posibilidad de contraer rabia por contagio de un murciélago es considerablemente menor que la de contagio por mordedura de un perro o de un gato.
Invito a Ustedes a contactarse conmigo.
Desde ya muchas gracias por su atención.
Cordialmente
Susana Rosenfeld
O MORCEGUISMOS é um espaço inteiramente dedicado aos morcegos e pretende ser um veículo de divulgação e sensibilização. Neste espaço cabe a divulgação de projectos em curso ou concluídos, notícias, e actividades diversas.
Para além disso pretende-se que contribua para uma aproximação do público a este grupo faunístico, e que este público tome parte no aumento do conhecimento sobre morcegos em Portugal, nomeadamente através da informação sobre abrigos de que tenham conhecimento.
No futuro pretende-se ainda criar uma linha de apoio a qualquer assunto relacionado com morcegos, como seja o socorro de morcegos encontrados feridos ou a perturbação de abrigos, entre outros.
Espera-se desta forma dar um contributo importante para a conservação das espécies de morcegos portuguesas.
27 de janeiro de 2010
19 de janeiro de 2010
Como remover um morcego de casa?
Por vezes é possível que um morcego entre numa casa. A Bat Conservation International apresenta um vídeo sobre os procedimentos a adoptar quando se pretende retirar um morcego de uma casa, o que deve ser feito sem nunca tocar no morcego.
No caso de ter mais do que um morcego em casa (por exemplo uma colónia no sótão) deve contactar as autoridades com competência para proceder à sua exclusão. Em Portugal esta responsabilidade compete ao ICNB, disponibilizando esta entidade um documento sobre os procedimentos a adoptar.
No caso de ter mais do que um morcego em casa (por exemplo uma colónia no sótão) deve contactar as autoridades com competência para proceder à sua exclusão. Em Portugal esta responsabilidade compete ao ICNB, disponibilizando esta entidade um documento sobre os procedimentos a adoptar.
Etiquetas:
bat conservation international,
ICNB,
remoção de morcegos
13 de janeiro de 2010
Síndroma do nariz branco detectado em França
Uma equipa de investigadores detectou um morcego com síndroma do nariz-branco em França. O indivíduo foi detectado durante uma intensa monitorização de hibernação, o que sugere, uma vez mais, a importância de todos os que visitam abrigos estarem atentos aos sinais.
Até ao momento esta enfermidade só tinha sido detectada nos EUA, e embora já tivesse sido avançada a possibilidade de estar também presente na Europa (ver aqui) este é o primeiro caso confirmado. Este fungo (Geomyces destructans) já foi responsável para morte de mais de 1 000 000 de indíviduos nos EUA, havendo casos de colónias em que todos os indivíduos morreram.
Os autores do estudo, que pode ser consultado aqui, sugerem três cenários possíveis. O primeiro cenário, e aquele que merece maior preocupação, seria que o fungo só agora tivesse chegado à Europa, estando todos os morcegos em risco. Num segundo cenário o fungo já estaria presente na Europa por um longo período, o que significaria que os morcegos europeus teriam desenvolvido imunidade. Este perspectiva seria muito animadora, já que, ao perceber as características que permitiram desenvolver esta imunidade dar-se-ia um importante contributo para evitar a sua propagação nos EUA. O terceiro cenário aponta a possibilidade do fungo Geomyces destructans não ser o primeiro responsável pela mortalidade, mas sim um oportunista que surge em indivíduos já comprometidos por outros agentes patogénicos
Segundo o mesmo artigo, uma vez que o indivíduo não se encontrava com peso abaixo da média, sintoma característico dos morcegos vítimas deste síndroma nos EUA, é possível que estejamos perante o segundo ou terceiro cenário.
Vale a pena ficar atento!
Artigos relacionados neste blog
Síndroma do Nariz Branco (III)
Estarão os espeleólogos e curiosos a contribuir para a disseminação do WNS
Síndroma do Nariz-Branco (II)
Poderá ter sido identificado o responsável pelo síndroma do nariz-branco
Síndroma do Nariz-Branco (I)
Até ao momento esta enfermidade só tinha sido detectada nos EUA, e embora já tivesse sido avançada a possibilidade de estar também presente na Europa (ver aqui) este é o primeiro caso confirmado. Este fungo (Geomyces destructans) já foi responsável para morte de mais de 1 000 000 de indíviduos nos EUA, havendo casos de colónias em que todos os indivíduos morreram.
Os autores do estudo, que pode ser consultado aqui, sugerem três cenários possíveis. O primeiro cenário, e aquele que merece maior preocupação, seria que o fungo só agora tivesse chegado à Europa, estando todos os morcegos em risco. Num segundo cenário o fungo já estaria presente na Europa por um longo período, o que significaria que os morcegos europeus teriam desenvolvido imunidade. Este perspectiva seria muito animadora, já que, ao perceber as características que permitiram desenvolver esta imunidade dar-se-ia um importante contributo para evitar a sua propagação nos EUA. O terceiro cenário aponta a possibilidade do fungo Geomyces destructans não ser o primeiro responsável pela mortalidade, mas sim um oportunista que surge em indivíduos já comprometidos por outros agentes patogénicos
Segundo o mesmo artigo, uma vez que o indivíduo não se encontrava com peso abaixo da média, sintoma característico dos morcegos vítimas deste síndroma nos EUA, é possível que estejamos perante o segundo ou terceiro cenário.
Vale a pena ficar atento!
Artigos relacionados neste blog
Síndroma do Nariz Branco (III)
Estarão os espeleólogos e curiosos a contribuir para a disseminação do WNS
Síndroma do Nariz-Branco (II)
Poderá ter sido identificado o responsável pelo síndroma do nariz-branco
Síndroma do Nariz-Branco (I)
Etiquetas:
europa,
frança,
Geomyces destructans,
síndroma nariz-branco,
white nose-syndrome
11 de janeiro de 2010
2010: Ano Internacional da Biodiversidade
2010 vai ser o Ano Internacional da Biodiversidade. Esta é uma iniciativa das Nações Unidas que pretende aumentar a conscicencialização do público em geral para as questões relacionadas com a biodiversidade nas suas várias vertentes. A cerimónia de lançamento da iniciativa irá decorrer hoje no Museu de História Natural de Berlim.
Mais informações podem ser consultadas no site oficial. Todos os que pretendam tornar-se parceiros desta iniciativa poderão fazê-lo no site, lançando desde já o repto a organizações, empresas ou outras entidades para o fazerem.
Mais informações podem ser consultadas no site oficial. Todos os que pretendam tornar-se parceiros desta iniciativa poderão fazê-lo no site, lançando desde já o repto a organizações, empresas ou outras entidades para o fazerem.
"Business as usual is not an option"
Etiquetas:
ano internacional da biodiversidade,
nações unidas
AnaBat GML remote download
Mais um interessante equipamento para quem trabalha em monitorização de morcegos, este desenvolvido pela Titley Electronics e para ser utilizado com o AnaBat. O GLM remote dowload permite aos utilizadores do AnaBat fazer o download dos dados todos os dias através da rede de telemóvel GPRS para um website que pode ser acedido em qualquer local com acesso à internet. Através do site GetMyLog, o utilizador pode ainda verificar o estado do detector, alterar as definições de gravação, fazer o upload de dados ou verificar o estado da bateria. Ao utilizar este tipo de equipamento combinado com uma estação automática, é possível diminuir a possibilidade de perda de dados devido a vandalismo, mas também a necessidade de visitas ao campo.
Esta é uma solução que deve ser considerada por todos aqueles que têm realizado trabalhos de monitorização, e poderá ser particularmente interessante no acompanhamento em parques eólicos, nomeadamente quando esteja envolvida a realização de escutas em altitude.
Esta é uma solução que deve ser considerada por todos aqueles que têm realizado trabalhos de monitorização, e poderá ser particularmente interessante no acompanhamento em parques eólicos, nomeadamente quando esteja envolvida a realização de escutas em altitude.
Etiquetas:
AnaBat,
estação automática,
GLM remote download,
titley electronics
7 de janeiro de 2010
Energia Eólica: do que nunca se fala!
Não tenho por hábito destacar assunstos que não estejam directamente relacionados com morcegos, mas a publicação de mais uma notícia sobre a "espectacular" situação de Portugal ao nível da energia eólica produzida leva-me a debruçar sobre este assunto. A notícia Portugal é o segundo país do mundo com maior peso das eólicas, foi publicada no jornal Público.
Reconheço a importância de apostar em energias renováveis, no entanto existe uma tendência para este tema ser discutido de uma forma unidireccional... fica sempre a sensação que no mundo das energias "verdes" só existem vantagens. Na verdade tem-se vindo a confirmar que a instalação de parques eólicos, que na maioria dos casos corre em zonas com interesse para a conservação da biodiversidade, tem efeitos negativos sobre alguns grupos da fauna, como sejam lobos, aves e morcegos. Para alguns esta poderá parecer uma questão pouco importante quando comparada com um cenário de soberania energética, mas a comunidade internacional (e isso ficou bem presente na recente cimeira de Copenhaga) começa a perceber que, depois das alterações climáticas, a biodiversidade será o próximo calcanhar de Aquiles.
Mas podemos até pôr um pouco de lado as "abstractas" questões da biodiversidade e pensar no Portugal interior e deprimido, sem voto na matéria, onde muitas vezes são instalados parques eólicos, aldeias habituadas ao silêncio que em dias de vento ficam sujeitas a um ruído de fundo constante. São as mesmas aldeias que não vêem as suas facturas eléctricas a diminuir, ou qualquer investimento em equipamentos colectivos.
Inicialmente vista como um modo de produção de elevada rentabilidade, em grande parte devido aos chorudos subsídios atribuídos pelo estado, começam agora a surgir dúvidas sobre os benefícios económicos reais destes empreendimentos. No futuro tenho esta visão Dantesca de parques eólicos abandonados por empresas que declaram falência, ferrugentos nas cumeadas das serras, pás caídas e aerogeradores que rangem de forma assustadora ao sabor do vento...
Reconheço a importância de apostar em energias renováveis, no entanto existe uma tendência para este tema ser discutido de uma forma unidireccional... fica sempre a sensação que no mundo das energias "verdes" só existem vantagens. Na verdade tem-se vindo a confirmar que a instalação de parques eólicos, que na maioria dos casos corre em zonas com interesse para a conservação da biodiversidade, tem efeitos negativos sobre alguns grupos da fauna, como sejam lobos, aves e morcegos. Para alguns esta poderá parecer uma questão pouco importante quando comparada com um cenário de soberania energética, mas a comunidade internacional (e isso ficou bem presente na recente cimeira de Copenhaga) começa a perceber que, depois das alterações climáticas, a biodiversidade será o próximo calcanhar de Aquiles.
Mas podemos até pôr um pouco de lado as "abstractas" questões da biodiversidade e pensar no Portugal interior e deprimido, sem voto na matéria, onde muitas vezes são instalados parques eólicos, aldeias habituadas ao silêncio que em dias de vento ficam sujeitas a um ruído de fundo constante. São as mesmas aldeias que não vêem as suas facturas eléctricas a diminuir, ou qualquer investimento em equipamentos colectivos.
Inicialmente vista como um modo de produção de elevada rentabilidade, em grande parte devido aos chorudos subsídios atribuídos pelo estado, começam agora a surgir dúvidas sobre os benefícios económicos reais destes empreendimentos. No futuro tenho esta visão Dantesca de parques eólicos abandonados por empresas que declaram falência, ferrugentos nas cumeadas das serras, pás caídas e aerogeradores que rangem de forma assustadora ao sabor do vento...
Etiquetas:
biodiversidade,
economia,
energia eólica,
populações
6 de janeiro de 2010
Campo Científico na Serra da Estrela (II)
Já está disponível o relatório final do Campo Científico organizado na Serra da Estrela pela Sociedade Holandesa de Mamologia. O download pode ser feito aqui.
No total registaram-se 40 espécies de mamíferos o que, em conjunto com as observações de aves, anfíbios, répteis, borboletas e libélulas, resultou num total de mais de 1000 observações. Das 40 espécies de mamíferos, 19 dizem respeito a morcegos destacando-se as espécies do género Rhinolophus, Barbastella barbastellus, Myotis bechsteinii e Pipistrellus pygmaeus.
Para além de uma cópia do relatório em formato papel, a Sociedade enviou, a todos os participantes, um cd com todos os dados e ainda uma t-shirt do campo de trabalho. Uma vez mais um grande obrigado a todos os que tornaram esta iniciativa possível.
No total registaram-se 40 espécies de mamíferos o que, em conjunto com as observações de aves, anfíbios, répteis, borboletas e libélulas, resultou num total de mais de 1000 observações. Das 40 espécies de mamíferos, 19 dizem respeito a morcegos destacando-se as espécies do género Rhinolophus, Barbastella barbastellus, Myotis bechsteinii e Pipistrellus pygmaeus.
Para além de uma cópia do relatório em formato papel, a Sociedade enviou, a todos os participantes, um cd com todos os dados e ainda uma t-shirt do campo de trabalho. Uma vez mais um grande obrigado a todos os que tornaram esta iniciativa possível.
4 de janeiro de 2010
Software de análise de ultra-sons (III)
A crescente utilização de estações automáticas, e em particular o lançamento no mercado do equipamento Petterson D500x, tem colocado novos desafios a todos aqueles que trabalham com identificação acústica de morcegos. A identificação de espécies com recurso a software convencional pode ser extremamente demorada tornando impraticável a análise do grande volume de sons recolhidos pelas estações automáticas. Trata-se por isso de um caso típico em que a evolução do software não consegui acompanhar o hardware.
Para dar resposta à necessidade de identificar de forma rápida e com a menor intervenção humana possível o enorme volume de informação gerado por estações automáticas como o Petterson D500x, uma dupla Sueca (Alexander Erikkson e Johan Karlsson) tem estado a desenvolver um programa que permite identificar automaticamente uma grande quantidade de sons, o programa chama-se Ominbat e encontra-se em fase de teste. O download é grátis bastando para tal registarem-se e apresentarem-se no fórum.
Do que pude experimentar a identificação automática ainda tem algumas fragilidades e só com sons de grande qualidade é possível obter uma identificação correcta, no entanto também e possível realizar uma identificação manual. Realce-se que a base de dados tem sido desenvolvida para utilização na Escandinávia, havendo por isso falta de sons de referência para algumas espécies. Apesar das fragilidades penso que o programa tem muito potencial, em particular se os bat workers de todo o mundo contribuírem com o seu conhecimento e sons para a base de dados. Pela positivia destaco o facto do programa considerar por defeito um tempo expandido de 10x, bem como a grande facilidade em navegar entre os vários ficheiros de som seleccionados para análise.
Uma excelente iniciativa que não podia deixar de destacar!
Para dar resposta à necessidade de identificar de forma rápida e com a menor intervenção humana possível o enorme volume de informação gerado por estações automáticas como o Petterson D500x, uma dupla Sueca (Alexander Erikkson e Johan Karlsson) tem estado a desenvolver um programa que permite identificar automaticamente uma grande quantidade de sons, o programa chama-se Ominbat e encontra-se em fase de teste. O download é grátis bastando para tal registarem-se e apresentarem-se no fórum.
Do que pude experimentar a identificação automática ainda tem algumas fragilidades e só com sons de grande qualidade é possível obter uma identificação correcta, no entanto também e possível realizar uma identificação manual. Realce-se que a base de dados tem sido desenvolvida para utilização na Escandinávia, havendo por isso falta de sons de referência para algumas espécies. Apesar das fragilidades penso que o programa tem muito potencial, em particular se os bat workers de todo o mundo contribuírem com o seu conhecimento e sons para a base de dados. Pela positivia destaco o facto do programa considerar por defeito um tempo expandido de 10x, bem como a grande facilidade em navegar entre os vários ficheiros de som seleccionados para análise.
Uma excelente iniciativa que não podia deixar de destacar!
Etiquetas:
análise ultra-sons,
identificação automática,
Ominbat,
software
12 de novembro de 2009
Rob Mies no Conan O'Brien
Rob Mies, director da The Organization for Bat Conservation, marcou presença no programa de Conan O'Brien no passado dia 29 de Outubro. Fica aqui o vídeo em duas partes. Desculpem a publicidade que precede os vídeos, mas não consegui editar.
Parte 1
Parte 2
Parte 1
Parte 2
Etiquetas:
Conan O'Brien,
Educação,
Rob Mies,
The Organization for Bat Conservation
11 de novembro de 2009
Acção da BCI leva a declaração pública de jogador da NBA
No passado dia 31 de Outubro durante um jogo da NBA, um morcego invadiu o campo, tendo sido atingido por um dos jogadores em campo, Manu Ginobili. Numa reacção a este acontecimento, e depois de receber alguns e-mails dos seus associados, a BCI pediu aos seus membros que enviassem para a NBA e para a equipa em questão, uma tomada de posição sobre o valor dos morcegos. Como se lê no site da organização, o objectivo nunca foi o de punir ou criticar o jogador, mas sim de aproveitar o (infeliz) acontecimento para enviar uma importante mensagem ao público: "Nunca se deve tocar num morcego sem uma protecção para as mãos".
O incidente, bem como a atenção dos media, acabou por ser uma excelente oportunidade para elucidar o público acerca dos benefícios dos morcegos, bem como para desmistificar alguns aspectos menos abonatórias que normalmente surgem associados aos morcegos.
O jogador acabou mesmo por colocar uma nota no seu Facebook:
“Just wanted to give you guys an update on the bat situation. As many of you already know, it wasn't a great idea. Not only for the fact that bats are great part of the ecosystem, but also because some carry rabies, which is an incurable disease. That's why I had to get vaccinated today (and it wasn't just one shot). Only 0.5% to 3% of the bat populations carry the disease, but if you can't find the animal, it's not recommended to take any risks [because] it can kill you! Since after the incident, the usher took it outside and the bat flew away (not lying!), there was no way of knowing if he was infected or not, so I had to do the safe thing.
Finally, please, don't do it at home or anywhere; avoid contact with bats, skunks, raccoons, rats and animals like that.”
Vejam a notícia no site da BCI.
O incidente, bem como a atenção dos media, acabou por ser uma excelente oportunidade para elucidar o público acerca dos benefícios dos morcegos, bem como para desmistificar alguns aspectos menos abonatórias que normalmente surgem associados aos morcegos.
O jogador acabou mesmo por colocar uma nota no seu Facebook:
“Just wanted to give you guys an update on the bat situation. As many of you already know, it wasn't a great idea. Not only for the fact that bats are great part of the ecosystem, but also because some carry rabies, which is an incurable disease. That's why I had to get vaccinated today (and it wasn't just one shot). Only 0.5% to 3% of the bat populations carry the disease, but if you can't find the animal, it's not recommended to take any risks [because] it can kill you! Since after the incident, the usher took it outside and the bat flew away (not lying!), there was no way of knowing if he was infected or not, so I had to do the safe thing.
Finally, please, don't do it at home or anywhere; avoid contact with bats, skunks, raccoons, rats and animals like that.”
Vejam a notícia no site da BCI.
Etiquetas:
BCI,
educação ambiental,
morcego atingido,
NBA
4 de novembro de 2009
Morcegos e vinhas
(ver a noticia completa na Bat Consrvation Times)
Desde que o Morceguismos foi criado temos dado alguma importância ao papel que os morcegos podem desempenhar enquanto controladores de populações de insectos (Controlo de pragas em Deltona e Morcegos são biopesticidas). No caso concreto da agricultura, e em particular em sistemas de agricultura biológica, os morcegos podem ser importantes no controlo de pragas agrícolas. Este mês, através da Bat Conservation International, chega-nos, dos Estados Unidos, mais um exemplo interessante.
Numa exploração vitivinícola com fins comerciais, os produtores tentam, dentro do possível, manter uma um modo de produção orgânico, e para isso contam com a importante ajuda de um exército de morcegos. Após terem conhecimento que os morcegos predavam gafanhotos, responsáveis pela transmissão de uma doença devastadora para a indústria do vinho (doença de Pierce), decidiram colocar caixas abrigo na sua exploração. Passado um ano os morcegos ocuparam as caixas e desde então os produtores afirmam nunca ter tido problemas com a doença de Pierce ou outras doenças transmitidas por insectos. Ainda não existem evidências cientificas sobre o papel dos morcegos no controlo desta doença, mas ter morcegos só pode ajudar.
Como se sabe a industria vitivinícola é extremamente importante para a economia do nosso país e as pragas podem causar danos avultados. Os morcegos são predadores de uma grande diversidade de insectos, para além disso alguns investigadores sugerem que os insectos evitam áreas onde há morcegos a caçar, assim a colocação de caixas abrigo é uma técnica que deve ser considerada em todo o tipo de explorações agrícolas, em particular de agricultura biológica.
Desde que o Morceguismos foi criado temos dado alguma importância ao papel que os morcegos podem desempenhar enquanto controladores de populações de insectos (Controlo de pragas em Deltona e Morcegos são biopesticidas). No caso concreto da agricultura, e em particular em sistemas de agricultura biológica, os morcegos podem ser importantes no controlo de pragas agrícolas. Este mês, através da Bat Conservation International, chega-nos, dos Estados Unidos, mais um exemplo interessante.
Numa exploração vitivinícola com fins comerciais, os produtores tentam, dentro do possível, manter uma um modo de produção orgânico, e para isso contam com a importante ajuda de um exército de morcegos. Após terem conhecimento que os morcegos predavam gafanhotos, responsáveis pela transmissão de uma doença devastadora para a indústria do vinho (doença de Pierce), decidiram colocar caixas abrigo na sua exploração. Passado um ano os morcegos ocuparam as caixas e desde então os produtores afirmam nunca ter tido problemas com a doença de Pierce ou outras doenças transmitidas por insectos. Ainda não existem evidências cientificas sobre o papel dos morcegos no controlo desta doença, mas ter morcegos só pode ajudar.
Como se sabe a industria vitivinícola é extremamente importante para a economia do nosso país e as pragas podem causar danos avultados. Os morcegos são predadores de uma grande diversidade de insectos, para além disso alguns investigadores sugerem que os insectos evitam áreas onde há morcegos a caçar, assim a colocação de caixas abrigo é uma técnica que deve ser considerada em todo o tipo de explorações agrícolas, em particular de agricultura biológica.
Etiquetas:
caixas abrigo,
doença de pierce,
pragas agrícolas,
vinhas
23 de outubro de 2009
Eólicas e a "não existência"
Sugiro a consulta de uma notícia publicada hoje na internet "Lawsuit: Md. company's wind energy project would kill endangered bats", não porque traga algo de novo sobre as eólicas e os morcegos, mas porque foca alguns aspectos essenciais das dificuldades que poderão vir a surgir nos processos de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) de parques eólicos.
O caso concreto diz respeito à instalação de um parque eólico com 124 aerogeradores num local que, segundo Michael Gannon (especialista em morcegos) poderá ter um impacte significativo na população de uma espécie ameaçada (Myotis sodalis), quer pela destruição de importantes áreas florestais (esta espécie abriga-se entre a casca solta das árvores), quer por os aerogeradores se localizarem nas rotas de migração entre os abrigos de Verão e de Inverno. Desconhecendo eu o caso concreto, preocupa-me que, para desmentir estas observações, a empresa que pretende instalar o parque eólico tenha conduzido duas amostragens que envolveram a captura com redes não tendo encontrado nenhum exemplar da espécie em causa. Michael Gannon argumenta que esta amostragem não foi realizada de forma adequada e, independentemente de ter ou não razão, a verdade é que, no que diz respeito a morcegos, concluir sobre "a não existência" (e notem que utilizo aspas, porque não é possível provar não existências) em biologia, como noutras ciências, é sempre mais fácil do que provar a existência. O especialista rebate estes dados com gravações de ultra-sons realizadas na área e que confirmam a presença da espécie... Resultado, os advogados de defesa da empresa argumentam que a identificação acústica tem um elevado grau de incerteza e que produz falsos positivos.
Não tenho conhecimento do caso para tomar uma posição, mas sou obrigado a perguntar-me. Se as empresas de energia eólica decidirem empreender uma cruzada para tirar conclusões sobre "não existências", o que nos resta?
O caso concreto diz respeito à instalação de um parque eólico com 124 aerogeradores num local que, segundo Michael Gannon (especialista em morcegos) poderá ter um impacte significativo na população de uma espécie ameaçada (Myotis sodalis), quer pela destruição de importantes áreas florestais (esta espécie abriga-se entre a casca solta das árvores), quer por os aerogeradores se localizarem nas rotas de migração entre os abrigos de Verão e de Inverno. Desconhecendo eu o caso concreto, preocupa-me que, para desmentir estas observações, a empresa que pretende instalar o parque eólico tenha conduzido duas amostragens que envolveram a captura com redes não tendo encontrado nenhum exemplar da espécie em causa. Michael Gannon argumenta que esta amostragem não foi realizada de forma adequada e, independentemente de ter ou não razão, a verdade é que, no que diz respeito a morcegos, concluir sobre "a não existência" (e notem que utilizo aspas, porque não é possível provar não existências) em biologia, como noutras ciências, é sempre mais fácil do que provar a existência. O especialista rebate estes dados com gravações de ultra-sons realizadas na área e que confirmam a presença da espécie... Resultado, os advogados de defesa da empresa argumentam que a identificação acústica tem um elevado grau de incerteza e que produz falsos positivos.
Não tenho conhecimento do caso para tomar uma posição, mas sou obrigado a perguntar-me. Se as empresas de energia eólica decidirem empreender uma cruzada para tirar conclusões sobre "não existências", o que nos resta?
Etiquetas:
eólicas,
indiana bat,
myotis sodalis
8 de setembro de 2009
Campo Científico na Serra da Estrela (I)
Entre 27 de Julho e 7 de Agosto decorreu na Serra da Estrela mais um Campo de Trabalho organizado pela Sociedade Holandesa de Mamologia, contando com a colaboração do CISE e do Paulo Barros. Todos os anos esta Sociedade reúne um grupo de voluntários que se desloca a um país para, em tempo recorde, reunir o máximo de informação possível sobre mamíferos (e não só...). Estes campos de trabalho estão abertos a todos os que, no país de acolhimento, estejam interessados em participar e colaborar.
Este ano o campo base foi em Loriga e contou com a participação de cerca de 40 pessoas (entre Holandeses, Portugueses e Belga!). O grande número de participantes, que trabalhou de forma incansável e dedicada durante quase duas semanas, permitiu reunir uma grande quantidade de informação na área do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). No total foram identificadas 39 espécies de mamíferos, das quais 20 são morcegos, o que se traduz em 83% das espécies de morcegos dadas para Portugal continental. Destas 20 espécies duas são novas para o PNSE (Pipistrellus pygmaeus e Myotis bechsteinii), havendo ainda a possibilidade de se vir a confirmar uma terceira. (poderão consultar aqui a lista completa de espécies)
No que diz respeito aos morcegos notou-se um grande empenho de todos os participantes na prospecção de abrigos, resultado que foi recompensado pelo número encontrado (entre edifícios, minas de minério, minas de água, etc.). Para além deste método de amostragem foi realizado um grande esforço de captura utilizando o método de redes, o que permitiu confirmar a presença de um elevado número de espécies normalmente difíceis de confirmar com outros métodos (como as espécies de Myotis mais pequenas, e as do género Plecotus). Foram ainda realizadas várias excursões com detectores de ultra-sons que permitiram a identificação de várias espécies.
Para os restantes mamíferos foram utilizados métodos de captura com recurso a diferentes tipos de armadilhas, bem como armadilhagem fotográfica e vídeo (podem ver alguns destes resultados no final da página aqui)
De destacar, para além da iniciativa por si mesma, a organização e o fluxo de informação, actualizada diariamente, no decorrer do campo. Destaque ainda para o bom ambiente que se viveu e o empenho de todos os participantes.
Parabéns a todos os que estiveram envolvidos, e em particular a toda a organização! Voltaremos a este tema assim que o relatório tenha sido publicado.Relembramos que já em 2003 a mesma Sociedade tinha organizado um campo de trabalho no Parque Natural do Alvão e cujo relatório está disponível aqui.
Vejam mais fotos no slide-show na coluna do lado direito!
Sites para consultar e acompanhar:
- Sociedade Holandesa de Mamologia - toda a actualização do campo aqui
- Jan Buys - fotografias do campo aqui
- Jan Buys - fotografias de morcegos aqui
- Bart Noort - fotografias do campo aqui
- Jasja Dekker - fotografias do campo aqui
Myotis myotis (Jan Buys)![]() | Plecotus austriacus (Jan Buys)![]() |
No que diz respeito aos morcegos notou-se um grande empenho de todos os participantes na prospecção de abrigos, resultado que foi recompensado pelo número encontrado (entre edifícios, minas de minério, minas de água, etc.). Para além deste método de amostragem foi realizado um grande esforço de captura utilizando o método de redes, o que permitiu confirmar a presença de um elevado número de espécies normalmente difíceis de confirmar com outros métodos (como as espécies de Myotis mais pequenas, e as do género Plecotus). Foram ainda realizadas várias excursões com detectores de ultra-sons que permitiram a identificação de várias espécies.
Nyctalus leisleri (Jan Buys)![]() | Pipistrellus pygmaeus (Jan Buys)![]() |
Myotis daubentonii (Jan Buys)![]() | Barbastella barbastellus (Jan Buys)![]() |
De destacar, para além da iniciativa por si mesma, a organização e o fluxo de informação, actualizada diariamente, no decorrer do campo. Destaque ainda para o bom ambiente que se viveu e o empenho de todos os participantes.
Parabéns a todos os que estiveram envolvidos, e em particular a toda a organização! Voltaremos a este tema assim que o relatório tenha sido publicado.Relembramos que já em 2003 a mesma Sociedade tinha organizado um campo de trabalho no Parque Natural do Alvão e cujo relatório está disponível aqui.
Vejam mais fotos no slide-show na coluna do lado direito!
Sites para consultar e acompanhar:
- Sociedade Holandesa de Mamologia - toda a actualização do campo aqui
- Jan Buys - fotografias do campo aqui
- Jan Buys - fotografias de morcegos aqui
- Bart Noort - fotografias do campo aqui
- Jasja Dekker - fotografias do campo aqui
7 de setembro de 2009
Reportagem: Morcegário da Quinta da Regaleira
Reportagem no programa da RTP Portugal Directo sobre o Morcegário da Quinta da Regaleira. Projecto a que o Morceguismos tem vindo a dar destaque, e que resulta de uma parceria entre a AES e a Fundação Cultursintra.
Etiquetas:
AES,
Cultursintra,
morcegário,
quinta da regaleira
4 de setembro de 2009
Bats and Forestry: panfleto da EUROBATS
(através da BatPT)
Depois da Forestry Commission for England ter publicado em 2005 um prospecto intitulado Woodland Management for Bats, foi agora a vez da EUROBATS publicar Bats and Forestry, que tal como o anterior faz algumas considerações para uma gestão florestal amiga dos morcegos. Esta iniciativa confirma mais uma vez a importância destes habitats para a conservação dos morcegos, em particular as espécies arborícolas em que, na maioria dos casos, existe pouca informação.
Depois da Forestry Commission for England ter publicado em 2005 um prospecto intitulado Woodland Management for Bats, foi agora a vez da EUROBATS publicar Bats and Forestry, que tal como o anterior faz algumas considerações para uma gestão florestal amiga dos morcegos. Esta iniciativa confirma mais uma vez a importância destes habitats para a conservação dos morcegos, em particular as espécies arborícolas em que, na maioria dos casos, existe pouca informação.
(clique na imagem para descarregar o documento)
Etiquetas:
arborícolas,
eurobats,
gestão florestal
1º Aniversário do Morceguismos
E quase sem darmos conta pelo tempo passar o Morceguismos comemora já o seu primeiro aniversário, foi no passado dia 26 de Agosto e o balanço deste primeiro ano é muito positivo. Apesar da especificidade dos temas abordados o Morceguismos recebeu neste primeiro ano mais de 11000 visitas e, apesar dos comentários serem em número reduzido, ao longo deste período recebemos também contactos via e-mail com dúvidas e sugestões.
O Morceguismos está de parabéns, mas estão também de parabéns todos os que ao longo deste ano contribuiram para fazer deste um espaço mais interessante. O sucesso deste blog é dos morcegos mas também dos que se têm dedicado ao estudo deste fantástico grupo.
Resta agradecer a quem dá sentido a este espaço... todos aqueles que durante este ano o visitaram!
Parabéns!
O Morceguismos está de parabéns, mas estão também de parabéns todos os que ao longo deste ano contribuiram para fazer deste um espaço mais interessante. O sucesso deste blog é dos morcegos mas também dos que se têm dedicado ao estudo deste fantástico grupo.
Resta agradecer a quem dá sentido a este espaço... todos aqueles que durante este ano o visitaram!
Parabéns!
Etiquetas:
1º aniversário
2 de setembro de 2009
Morcego-orelhudo alpino visto pela primeira vez na Catalunha
(in Ciência Hoje)
Espécie pouco estudada é considerada benéfica para o equilíbrio ambiental
Foi recentemente encontrado um exemplar de morcego-orelhudo alpino (Plecotus macrobullaris) na Catalunha. Esta é primeira vez que este morcego, registado em 1965, é visto nesta região de Espanha. O animal foi encontrado numa gruta no município de Queralbs (comarca de Ripollès, na província de Girona), a 2260 metros de altitude.
A notícia, avançada pelo jornal espanhol «El Mundo», dá conta que até agora este animal só tinha sido avistado (e muito raramente) nos Alpes e na zona central dos Pirenéus (entre 1700 e 2800 metros de altura).
Os investigadores Xavier Puig e Carles Flaquer captaram o animal que posteriormente libertaram, não sem antes o estudarem e catalogarem.
De resto, os investigadores estão a desenvolver um inventário das espécies de morcegos encontradas em Ripollès (com esta são 29) com o objectivo de aplicar medidas de preservação do seu habitat.
Este morcego é considerado muito benéfico para o equilíbrio do meio ambiente pois alimenta-se de insectos durante o Verão, ajudando a controlar o excesso de população destes animais. O Inverno passa-o em grutas a cerca de 2100 metros de altitude.
Apesar do desconhecimento actual da biologia destes morcegos, os cientistas acreditam que a sua presença pode ser um bom indicador da evolução dos ecossistemas das altas montanhas.
Consultar a notícia no "El Mundo"
Espécie pouco estudada é considerada benéfica para o equilíbrio ambiental
Foi recentemente encontrado um exemplar de morcego-orelhudo alpino (Plecotus macrobullaris) na Catalunha. Esta é primeira vez que este morcego, registado em 1965, é visto nesta região de Espanha. O animal foi encontrado numa gruta no município de Queralbs (comarca de Ripollès, na província de Girona), a 2260 metros de altitude.
A notícia, avançada pelo jornal espanhol «El Mundo», dá conta que até agora este animal só tinha sido avistado (e muito raramente) nos Alpes e na zona central dos Pirenéus (entre 1700 e 2800 metros de altura).
Os investigadores Xavier Puig e Carles Flaquer captaram o animal que posteriormente libertaram, não sem antes o estudarem e catalogarem.De resto, os investigadores estão a desenvolver um inventário das espécies de morcegos encontradas em Ripollès (com esta são 29) com o objectivo de aplicar medidas de preservação do seu habitat.
Este morcego é considerado muito benéfico para o equilíbrio do meio ambiente pois alimenta-se de insectos durante o Verão, ajudando a controlar o excesso de população destes animais. O Inverno passa-o em grutas a cerca de 2100 metros de altitude.
Apesar do desconhecimento actual da biologia destes morcegos, os cientistas acreditam que a sua presença pode ser um bom indicador da evolução dos ecossistemas das altas montanhas.
Consultar a notícia no "El Mundo"
Etiquetas:
catalunha,
nova espécie,
Plecotus macrobullaris
Almargem organizou primeira Noite Europeia dos Morcegos
(in Região Sul)
Vivem, um pouco por todo o Algarve, cerca de dezasseis espécies de morcegos, que se abrigam em árvores, habitações humanas, minas de água e cavidades rochosas. No Barrocal, um conjunto de grutas bem conhecidas alberga populações significativas de espécies raras noutras zonas do país, como é o caso do morcego-rato-pequeno.
Segundo a associação ambientalista Almargem, o abandono continuado e a ausência de uma gestão adequada destes habitats, tem vindo a por em risco a sobrevivência das comunidades de morcegos, ao longo dos últimos anos.
Nesse sentido, a denúncia desta situação foi o objectivo principal da organização a 29 de Agosto, por parte da Associação Almargem, da primeira Noite Europeia dos Morcegos a ter lugar na região.
A Noite Europeia dos Morcegos (European Bat Night) vai já na sua 13ª edição e é uma iniciativa coordenada pelo EUROBATS, secretariado das Nações Unidas que gere o Acordo para a Conservação das Populações de Morcegos Europeus, em vigor desde 1994 (www.eurobats.org). Na noite do último sábado de Agosto, por toda a Europa, milhares de pessoas reúnem-se para observar morcegos e compreender um pouco melhor os seus hábitos e as ameaças que pesam sobre as suas populações.
Apesar do calor e da famosa Noite Branca que, anualmente atrai, nesta mesma data, muitos milhares de pessoas a Loulé, participou no evento um grupo de cerca de 40 pessoas.
A Associação Almargem refere em comunicado esperar "que esta iniciativa possa ter contribuído para sensibilizar as autoridades nacionais e regionais de forma a implementarem as medidas adequadas à conservação dos habitats e das populações de morcegos do Algarve".
BN / RS
Vivem, um pouco por todo o Algarve, cerca de dezasseis espécies de morcegos, que se abrigam em árvores, habitações humanas, minas de água e cavidades rochosas. No Barrocal, um conjunto de grutas bem conhecidas alberga populações significativas de espécies raras noutras zonas do país, como é o caso do morcego-rato-pequeno.
Segundo a associação ambientalista Almargem, o abandono continuado e a ausência de uma gestão adequada destes habitats, tem vindo a por em risco a sobrevivência das comunidades de morcegos, ao longo dos últimos anos.
Nesse sentido, a denúncia desta situação foi o objectivo principal da organização a 29 de Agosto, por parte da Associação Almargem, da primeira Noite Europeia dos Morcegos a ter lugar na região.
A Noite Europeia dos Morcegos (European Bat Night) vai já na sua 13ª edição e é uma iniciativa coordenada pelo EUROBATS, secretariado das Nações Unidas que gere o Acordo para a Conservação das Populações de Morcegos Europeus, em vigor desde 1994 (www.eurobats.org). Na noite do último sábado de Agosto, por toda a Europa, milhares de pessoas reúnem-se para observar morcegos e compreender um pouco melhor os seus hábitos e as ameaças que pesam sobre as suas populações.
Apesar do calor e da famosa Noite Branca que, anualmente atrai, nesta mesma data, muitos milhares de pessoas a Loulé, participou no evento um grupo de cerca de 40 pessoas.
A Associação Almargem refere em comunicado esperar "que esta iniciativa possa ter contribuído para sensibilizar as autoridades nacionais e regionais de forma a implementarem as medidas adequadas à conservação dos habitats e das populações de morcegos do Algarve".
BN / RS
Etiquetas:
algarve,
Almargem,
Noite europeia dos morcegos
31 de agosto de 2009
Morcegos utilizam "canções de amor"
Kirsten Bohn, que se encontra a realizar um pós-doutoramento na Texas A&M University, concluiu que os morcegos da espécie Tadarida brasiliensis cantam enquanto estão pendurados, por vezes batendo as asas e libertando um liquido odorífero, com o objectivo de atraírem as fêmeas. Já se sabia que os morcegos comunicam entre si utilizando aquilo a que se chama "chamamentos sociais", mas o objectivo com que o fazem não era totalmente compreendido, este estudo fornece agora novas pistas sobre a comunicação entre indivíduos.
O artigo completo pode ser descarregado gratuitamente em PLoSone, sento também possível ouvir uma amostra destes chamamentos aqui. Fica também um vídeo.
O artigo completo pode ser descarregado gratuitamente em PLoSone, sento também possível ouvir uma amostra destes chamamentos aqui. Fica também um vídeo.
Etiquetas:
comunicação,
corte,
Tadarida brasilensis
18 de agosto de 2009
Descoberta de mais uma importante colónia de criação em Sintra
Por Dora Querido (AES)
Na passada quarta-feira, dia 5 de Agosto, ficou confirmada a existência de uma colónia de criação de Morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale) num dos aquedutos que abastece de água a Quinta da Regaleira, em Sintra. A colónia é constituída por cerca de 250 a 300 indivíduos, sendo por isso uma colónia de importância nacional que irá integrar o plano nacional de monitorização de colónias importantes de Morcegos. A espécie está classificada como “Criticamente em Perigo” uma vez que apenas se conhecem menos de 1000 indivíduos em todo o território nacional.
Esta importante descoberta surgiu aquando das obras de melhoramento dos 7 km de aquedutos que abastecem de água a Quinta da Regaleira, propriedade da Cultursintra, Fundação que gere o património da Quinta. Devido ao longo trabalho de sensibilização para a conservação dos morcegos que a Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES) tem efectuado junto dos trabalhadores e responsáveis da Regaleira, estes reportaram à associação a descoberta de quantidades significativas de guano numa das clarabóias dos aquedutos. O local foi inicialmente visitado por membros da AES que constataram a presença de uma grande colónia do género Rhinolophus (morcegos de ferradura), potencialmente da espécie Rhinolophus euryale, tendo por isso sido organizada uma segunda visita para a captura de alguns indivíduos a fim de determinar a espécie de forma inequívoca. Esta saída contou com diversos entusiastas do mundo dos morcegos e foi coordenada por Maria João Pereira (Investigadora do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa) que capturou, identificou e analisou 4 espécimes da colónia.
Fazendo fé na memória dos funcionários encarregues de vistoriar a rede de aquedutos e minas deste complexo, tudo indica que a colónia não se tenha fixado há mais de dois anos neste local, podendo mesmo tratar-se de uma colónia desaparecida da Gruta da Assafora (20 Km de Sintra), que abandonado a cavidade há mais de 15 anos.
Sintra já albergava, num dos seus morcegários - estrutura construída com a finalidade de albergar e monitorizar os morcegos através do registo contínuo de imagens e dados complementares - da Quinta da Regaleira, a maior colónia de criação conhecida de Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros), existindo também a 2km, no Palácio de Monserrate, uma segunda colónia de criação da mesma espécie. À semelhança do Morcego-de-ferradura-mediterrânico também o Morcego-de-ferradura-pequeno apresenta estatuto de conservação preocupante (vulnerável). Com a descoberta desta nova colónia de Morcego-de-ferradura-mediterrânico, que representa quase um terço do total de indivíduos conhecidos em Portugal, Sintra assume um lugar de destaque para a sensibilização, conservação e investigação dos Morcegos em Portugal.
A AES tem vindo a ser desenvolver nos últimos 20 anos um longo trabalho na divulgação e sensibilização para a importância dos quirópteros, não só junto dos trabalhadores e responsáveis pela Quinta da Regaleira, mas também junto da população em geral de modo a que o património natural que Sintra alberga seja valorizado.
Na passada quarta-feira, dia 5 de Agosto, ficou confirmada a existência de uma colónia de criação de Morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale) num dos aquedutos que abastece de água a Quinta da Regaleira, em Sintra. A colónia é constituída por cerca de 250 a 300 indivíduos, sendo por isso uma colónia de importância nacional que irá integrar o plano nacional de monitorização de colónias importantes de Morcegos. A espécie está classificada como “Criticamente em Perigo” uma vez que apenas se conhecem menos de 1000 indivíduos em todo o território nacional.
Esta importante descoberta surgiu aquando das obras de melhoramento dos 7 km de aquedutos que abastecem de água a Quinta da Regaleira, propriedade da Cultursintra, Fundação que gere o património da Quinta. Devido ao longo trabalho de sensibilização para a conservação dos morcegos que a Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES) tem efectuado junto dos trabalhadores e responsáveis da Regaleira, estes reportaram à associação a descoberta de quantidades significativas de guano numa das clarabóias dos aquedutos. O local foi inicialmente visitado por membros da AES que constataram a presença de uma grande colónia do género Rhinolophus (morcegos de ferradura), potencialmente da espécie Rhinolophus euryale, tendo por isso sido organizada uma segunda visita para a captura de alguns indivíduos a fim de determinar a espécie de forma inequívoca. Esta saída contou com diversos entusiastas do mundo dos morcegos e foi coordenada por Maria João Pereira (Investigadora do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa) que capturou, identificou e analisou 4 espécimes da colónia.
Fazendo fé na memória dos funcionários encarregues de vistoriar a rede de aquedutos e minas deste complexo, tudo indica que a colónia não se tenha fixado há mais de dois anos neste local, podendo mesmo tratar-se de uma colónia desaparecida da Gruta da Assafora (20 Km de Sintra), que abandonado a cavidade há mais de 15 anos.
Sintra já albergava, num dos seus morcegários - estrutura construída com a finalidade de albergar e monitorizar os morcegos através do registo contínuo de imagens e dados complementares - da Quinta da Regaleira, a maior colónia de criação conhecida de Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros), existindo também a 2km, no Palácio de Monserrate, uma segunda colónia de criação da mesma espécie. À semelhança do Morcego-de-ferradura-mediterrânico também o Morcego-de-ferradura-pequeno apresenta estatuto de conservação preocupante (vulnerável). Com a descoberta desta nova colónia de Morcego-de-ferradura-mediterrânico, que representa quase um terço do total de indivíduos conhecidos em Portugal, Sintra assume um lugar de destaque para a sensibilização, conservação e investigação dos Morcegos em Portugal.
A AES tem vindo a ser desenvolver nos últimos 20 anos um longo trabalho na divulgação e sensibilização para a importância dos quirópteros, não só junto dos trabalhadores e responsáveis pela Quinta da Regaleira, mas também junto da população em geral de modo a que o património natural que Sintra alberga seja valorizado.
Etiquetas:
AES,
nova colónia,
quinta da regaleira,
rhinolophus euryale
Subscrever:
Mensagens (Atom)























